Após análise detalhada do Ministério Público, provas técnicas indicam que o animal morreu devido a uma doença grave e não por agressão humana.
O caso do cão Orelha, que gerou grande comoção nacional no início deste ano, teve um desfecho judicial nesta semana. A Justiça de Santa Catarina determinou o arquivamento das investigações que apuravam a morte do animal, ocorrida na Praia Brava, em Florianópolis. A decisão veio após o Ministério Público (MPSC) concluir que não houve agressão por parte dos adolescentes que eram investigados.
De acordo com o Ministério Público, uma revisão minuciosa de quase dois mil arquivos, incluindo vídeos de câmeras de segurança e laudos periciais, mudou o rumo do caso. Os peritos identificaram que as câmeras de segurança de um condomínio estavam com o horário adiantado em cerca de 30 minutos em relação ao sistema público. Com a correção dessa linha do tempo, ficou provado que os jovens e o cão não estiveram no mesmo local no momento em que a suposta agressão teria ocorrido.
Além disso, os exames realizados após a exumação do corpo de Orelha não encontraram fraturas ou lesões que pudessem ter sido causadas por pancadas ou objetos. O que os laudos mostraram foi que o cachorro sofria de osteomielite, uma infecção óssea grave e crônica, provavelmente causada por problemas dentários antigos. Esse quadro clínico explicaria o inchaço na cabeça que muitos confundiram com marcas de violência.
Com base nessas evidências técnicas, o Judiciário acatou o pedido do Ministério Público para encerrar o procedimento criminal, já que legalmente a Justiça não pode dar continuidade ao processo sem que o órgão acusador veja motivos para uma denúncia.