Empresário continua detido após decisão do TRF-1; operação apura esquema de R$ 12,2 bilhões em títulos falsos.
A Justiça Federal decidiu manter a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master, após negar o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa. A decisão foi tomada pela desembargadora Solange Salgado da Silva, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), que considerou necessária a continuidade da detenção diante da gravidade das suspeitas e do risco de fuga.
Vorcaro havia sido preso pela Polícia Federal no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, quando se preparava para embarcar em um avião particular com destino aos Emirados Árabes Unidos. A prisão faz parte da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema que pode envolver cerca de R$ 12,2 bilhões em títulos de crédito falsos, negociados entre instituições financeiras.
Segundo informações da investigação, grande parte dos títulos analisados não possuía avaliação técnica adequada, o que levantou suspeitas de fraude e manipulação contábil. A operação também cumpriu mandados de busca e apreensão em cinco estados — Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro — e no Distrito Federal.
Além da prisão, foram bloqueados diversos bens ligados ao empresário, incluindo carros de luxo, obras de arte, relógios e quantias em dinheiro. A Justiça determinou essas medidas para impedir a circulação ou ocultação de patrimônio enquanto o caso é investigado. A Polícia Federal apura possíveis crimes de gestão fraudulenta, organização criminosa e gestão temerária.
A defesa de Vorcaro alegou que a prisão seria desnecessária, já que o Banco Master havia sido colocado em liquidação extrajudicial pelo Banco Central no mesmo dia da operação. No entanto, o tribunal entendeu que ainda havia risco de fuga, além de indícios de tentativa de ocultação de documentos e manipulação de dados contábeis.
Durante a audiência de custódia, a Justiça reforçou que existem “indícios contundentes” de que operações foram estruturadas para encobrir irregularidades e dificultar o rastreamento de informações. Também foi determinado o bloqueio de bens de familiares menores de idade dos investigados, como medida cautelar adicional.
A liquidação extrajudicial do Banco Master significa que os bens dos administradores e controladores ficam indisponíveis até que todas as responsabilidades sejam apuradas. O banco já vinha sendo monitorado por operações arriscadas, com investimentos em carteiras de crédito, precatórios e empresas de baixa liquidez — estratégias que chamaram atenção de especialistas do setor financeiro.
Se as suspeitas forem confirmadas, o caso pode se tornar um dos maiores escândalos financeiros recentes no país, com impacto direto sobre o sistema bancário e sobre a confiança de investidores.