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Justiça italiana marca audiência decisiva para extradição de Carla Zambelli no fim de novembro

Imagem: Roque de Sá/Agência Senado
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Deputada brasileira permanece detida na Itália enquanto o país avalia pedido do Brasil para enviá-la de volta, após condenações no STF

A Justiça italiana marcou para 27 de novembro de 2025 uma audiência crucial para decidir sobre o pedido de extradição da deputada Carla Zambelli (PL-SP), que está presa em Roma desde julho. O Ministério Público da Itália já manifestou parecer favorável para que ela seja enviada de volta ao Brasil para cumprir pena.

Zambelli deixou o Brasil após ter sido condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão, acusada de liderar a invasão hacker ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em parceria com o hacker Walter Delgatti. Além disso, ela também foi condenada por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal — crimes que, juntos, aumentam a pressão para sua cassação na Câmara dos Deputados.

Motivos da prisão na Itália e questionamentos da defesa

A deputada foi presa preventivamente na Itália sob o argumento de risco de fuga. Sua defesa, por outro lado, afirma que ela sofre de problemas de saúde e deveria aguardar o julgamento da extradição em prisão domiciliar.

Durante uma audiência em Roma, os advogados renovaram o pedido para que ela cumprisse o processo em liberdade, mas a Justiça decidiu mantê-la em prisão cautelar. O tribunal também rejeitou a tentativa da defesa de usar a dupla cidadania como argumento para evitar a extradição, reconhecendo a validade dos documentos enviados pelo Brasil.

A Justiça italiana determinou ainda uma perícia médica para avaliar o estado de saúde da deputada, laudo que poderá ser decisivo para novos pedidos de mudança no regime da prisão.

Parecer do Ministério Público italiano

O Ministério Público da Itália considera que as acusações feitas pelo Brasil são graves e configuram base legal para a extradição. Embora o parecer não determine a decisão final, ele fortalece o pedido brasileiro.

Ainda assim, a palavra final cabe ao tribunal italiano, que deve avaliar questões de saúde, de segurança jurídica e de direitos individuais antes de anunciar sua decisão. Não há prazo para o julgamento definitivo.

Contexto político no Brasil

No Brasil, paralelamente ao processo de extradição, Carla Zambelli enfrenta um processo de cassação do mandato. A Câmara dos Deputados deve retomar a análise do caso nos próximos dias, e a possibilidade de perda de mandato cresce à medida que avançam as decisões internacionais.

A Advocacia-Geral da União (AGU) tem atuado diretamente no caso, fornecendo documentos e sustentando juridicamente o pedido de extradição. Já a defesa da deputada alega perseguição política e afirma que Zambelli foi vítima de campanhas difamatórias.

O que pode acontecer agora

  1. Se a extradição for aprovada, Zambelli será enviada ao Brasil para cumprir a pena aplicada pelo STF.
  2. Se os argumentos da defesa forem aceitos, ela pode permanecer presa na Itália ou obter prisão domiciliar, caso a perícia confirme problemas de saúde.
  3. No plano político, a cassação pode ocorrer independentemente da extradição, caso a Câmara entenda que as condenações inviabilizam seu mandato.
  4. O processo ainda pode se alongar, já que envolve acordos internacionais, prazos legais e possíveis recursos.