A pacata rotina da Praia Brava, em Florianópolis, foi substituída por um misto de luto e indignação nas últimas semanas. O motivo é o triste destino de Orelha, um cachorro comunitário de cerca de 10 anos que era muito mais do que um animal de rua; ele era um morador ilustre, cuidado por todos e amado por frequentadores da região. O caso, que ganhou repercussão nacional, agora entra em uma fase decisiva com as investigações da Polícia Civil.
Quem era o Orelha?
Orelha vivia na Praia Brava há pelo menos uma década. Ele era o que chamamos de “cão comunitário”: não tinha um único dono, mas tinha uma família inteira formada pela vizinhança. Tinha casinha garantida, comida, vacinas em dia e até acompanhamento veterinário custeado pelos moradores. Dócil e sempre presente na areia ou calçadas, ele se tornou um símbolo da convivência harmoniosa entre humanos e animais no bairro.
O crime que chocou a Ilha
Tudo mudou em meados de janeiro, quando Orelha desapareceu por alguns dias. Após buscas, ele foi encontrado em estado agonizante em uma área de mata. O cenário era de partir o coração: o animal apresentava múltiplos ferimentos graves, sinais claros de um espancamento cruel. Socorrido às pressas e levado a uma clínica particular, os veterinários constataram que os danos físicos eram irreversíveis. Para abreviar seu sofrimento, a equipe médica, em consenso com os protetores locais, recomendou a eutanásia.
A investigação e os suspeitos
A Polícia Civil de Santa Catarina agiu rápido diante da revolta popular. Nesta segunda-feira (26), uma operação cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos. O grupo investigado é composto por quatro adolescentes, o que traz uma camada ainda mais complexa ao caso, envolvendo a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCAMI).
Além dos jovens, um homem adulto também é alvo da polícia por suspeita de coação no curso do processo, tentando intimidar testemunhas para proteger os envolvidos. Celulares e computadores foram apreendidos e passarão por perícia para entender se houve planejamento ou registro das agressões.
Mobilização nacional
A morte de Orelha não ficou restrita aos grupos de WhatsApp do bairro. Uma página no Instagram criada para cobrar justiça já ultrapassa os 47 mil seguidores. Celebridades e influenciadores também levantaram a voz contra a crueldade animal, reforçando que maus-tratos é crime com pena de reclusão. Na Assembleia Legislativa, já existe até uma proposta para erguer uma estátua em homenagem ao cão na Praia Brava, como um lembrete eterno de que a vida animal merece respeito e proteção.
O caso segue sob segredo de justiça devido ao envolvimento de menores, mas a comunidade garante que não vai descansar até que os responsáveis respondam pelo que fizeram com o “vovô” da Brava.