Músicos afirmam que cantor se apropriou de sucessos como “Tive Razão” e “Carolina”; processo que estava parado há décadas ganha novo fôlego no Rio de Janeiro.
O cantor Seu Jorge, um dos nomes mais respeitados da música brasileira, está novamente no centro de uma batalha judicial que parecia adormecida. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) decidiu anular a extinção de um processo movido pelos músicos Ricardo Garcia e Kiko Freitas, que acusam o artista de plágio em diversas canções que se tornaram grandes sucessos de sua carreira.
A disputa não é de hoje. Ricardo e Kiko afirmam que mantinham uma parceria criativa com Seu Jorge desde 1997. Segundo os músicos, eles teriam convidado o cantor para participar das gravações de faixas como “Carolina”, “Tive Razão”, “Chega no Suingue”, “Gafieira S.A”, “She Will” e “Não Têm”. No entanto, o artista teria registrado as obras apenas em seu nome, deixando os parceiros de fora dos créditos e dos lucros.
O retorno aos tribunais e a testemunha chave
A desembargadora Maria Regina Nova, relatora do caso, entendeu que o processo não poderia ter sido encerrado sem que as partes fossem devidamente ouvidas. Com isso, uma nova fase de coleta de provas foi aberta. E é aqui que a história ganha um capítulo cinematográfico: a “verdadeira Carolina” será chamada para testemunhar.
De acordo com a advogada dos músicos, Deborah Sztajnberg, a mulher que inspirou a canção era, na verdade, namorada de Ricardo Garcia na época da composição. A defesa afirma possuir fotos e documentos que comprovam que a musa já existia e estava ligada aos autores originais muito antes do sucesso estrondoso de Seu Jorge. O depoimento dela é visto como peça fundamental para provar quem, de fato, escreveu os versos que o Brasil inteiro canta.
O que está em jogo?
Mais do que dinheiro, os músicos buscam o reconhecimento histórico. O pedido judicial inclui:
- O crédito correto da autoria em todas as plataformas e registros;
- O pagamento de todos os direitos autorais que deixaram de ser recebidos ao longo de mais de 20 anos;
- Indenização por danos morais.
A advogada ressalta que tentou acordos amigáveis com o cantor e sua gravadora no passado, mas nunca obteve resposta. Ela também lamenta os ataques que os músicos sofrem na internet. “Muitos fãs levam para o lado pessoal e não entendem que o plágio é uma questão técnica e objetiva de direito autoral”, explicou à CNN.
A polêmica dos direitos autorais na MPB
Este caso acende novamente o alerta sobre como funciona a indústria fonográfica e a importância dos registros de obras. No Brasil, casos de plágio costumam ser complexos e demorados, exigindo perícias musicais detalhadas para comparar melodias e letras. Até o momento, a assessoria de Seu Jorge não se manifestou sobre a reabertura do caso, mas o espaço segue aberto para sua defesa.
Fonte: CNN Brasil