Em sua 24ª edição, festival reúne Olodum, Jau e mais de 700 artistas em cortejo que celebra ancestralidade, música e resistência
A Lavagem de Madeleine é, há mais de duas décadas, o maior evento de cultura afro-brasileira na Europa. Aconteceu neste domingo (14 de setembro) em Paris, atraindo milhares de pessoas em um desfile festivo que combina fé, ritmo e ancestralidade. Organizado por Robertinho Chaves, o festival é inspirado na tradicional Lavagem do Bonfim de Salvador, mas com identidade própria e vigor cosmopolita.
Neste ano, com quase 700 artistas em cena, o cortejo partiu da Place de la République e seguiu até a Igreja de La Madeleine, um trajeto de cerca de 4 km, conduzido por baianas vestidas de branco, um babalorixá e trio elétrico, em uma celebração carregada de batucadas, maracatus e dança de capoeira. Na escadaria da igreja, a simbólica lavagem marca um ritual de oração, canto em francês e português, reafirmando a espiritualidade e a luta cultural da diáspora afro-brasileira.
O Olodum foi um dos principais destaques da festa, ao lado do cantor Jau, que retornou à capital francesa em grande estilo. Também se apresentaram Armandinho Macêdo, Ana Mametto e a Banda Querô, formada por jovens da ONG Arte no Dique, de Santos.
Este ano, as homenagens foram dedicadas à cantora Preta Gil e à jornalista Wanda Chase, figuras fundamentais para a promoção da cultura brasileira internacionalmente. Preta Gil foi madrinha da Lavagem e Wanda Chase teve papel importante como divulgadora e ativista cultural. Em discurso, Robertinho destacou que “cada uma, em sua arte e em sua força, iluminaram caminhos, inspiraram gerações e fortaleceram a presença da cultura brasileira no mundo”.
O evento de 2025 integra a programação oficial da Prefeitura de Paris, a Rota dos Escravizados da Unesco e também faz parte do Ano Cultural Brasil–França, iniciativa conjunta entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Emmanuel Macron. A expectativa é que mais de 60 mil pessoas tenham participado do cortejo e das atrações culturais.
Além dos shows, a programação incluiu debates sobre cultura afro-transatlântica, lançamentos literários, workshops de lambada e samba-reggae, além de noites de gastronomia, cinema e arte espalhadas pela cidade entre os dias 9 e 14 de setembro.