Apesar de mobilizar milhares de fiéis e parar a cidade, a celebração do “Senhor do Bonfim” é considerada ponto facultativo; entenda as regras que definem as datas de folga na capital baiana.
Quem mora em Salvador ou visita a cidade em janeiro sabe: a segunda quinta-feira do ano tem um cheiro especial de alfazema e o branco toma conta das ruas da Cidade Baixa. A Lavagem do Bonfim é, sem dúvida, uma das manifestações culturais e religiosas mais bonitas e importantes do Brasil. Mas, apesar de toda a movimentação, do comércio fechado em diversos pontos e da multidão que caminha os 8 km até a Colina Sagrada, muita gente ainda se surpreende ao descobrir que o Dia do Senhor do Bonfim não é feriado oficial.
Pode parecer estranho para uma festa que “para” a cidade, mas existe uma explicação jurídica e administrativa para isso. Para que você entenda melhor, vamos explicar como funciona a divisão de feriados em Salvador e por que essa data tão simbólica não está no calendário oficial de folgas.
A lei e o limite de feriados
De acordo com a legislação federal (Lei nº 9.093/1995), os municípios brasileiros têm o direito de instituir apenas quatro feriados religiosos, já incluída a Sexta-Feira Santa. Salvador, como uma cidade com fortes tradições, precisa escolher com cuidado quais datas serão oficializadas. Atualmente, os feriados municipais de Salvador são:
- Sexta-feira da Paixão (data móvel);
- Corpus Christi (data móvel);
- São João (24 de junho);
- Nossa Senhora da Conceição da Praia (8 de dezembro), que é a padroeira oficial da Bahia.
Como a Lavagem do Bonfim acontece sempre em uma quinta-feira variável (a segunda quinta-feira após o Dia de Reis), ela não entrou na lista fixa de feriados religiosos da cidade.
Ponto facultativo: O “feriado” que depende da empresa
O que acontece na prática é que a Prefeitura de Salvador decreta ponto facultativo. Isso significa que as repartições públicas municipais não funcionam, mas as empresas privadas têm a liberdade de decidir se dão folga aos seus funcionários ou não. Na prática, como o trajeto da caminhada bloqueia o trânsito e muda a rotina de bairros inteiros, muitas lojas e escritórios acabam não abrindo, criando aquela sensação de feriado prolongado.
E o Dia de Iemanjá e o Carnaval?
A dúvida sobre o Bonfim geralmente traz outras: “E o 2 de fevereiro?”. O Dia de Iemanjá também não é feriado, seguindo a mesma lógica do limite de datas municipais. Já o Carnaval, por mais que pareça o maior feriado do mundo, tecnicamente também é ponto facultativo na maior parte do país, embora a tradição e acordos trabalhistas garantam a folga.
A tradição acima do papel
Mesmo sem o título oficial de feriado, o Bonfim continua sendo o momento em que o povo baiano renova suas esperanças. Seja por fé, por cultura ou apenas pelo prazer de ver a cidade viva, a Lavagem do Bonfim prova que algumas celebrações são tão grandes que não precisam de uma lei para serem respeitadas pelo povo. O comércio pode até funcionar em alguns lugares, mas o coração da cidade, com certeza, está lá em cima, na Colina Sagrada.