O mundo da fotografia e do ativismo social perdeu um de seus maiores expoentes. Sebastião Salgado, o renomado fotógrafo brasileiro, faleceu em 23 de maio de 2025, aos 81 anos, em Paris, França, devido a complicações de uma leucemia, resultado de uma malária contraída em 2010. Em um triste acaso, a primeira grande mostra de seu trabalho no Brasil após sua partida, a exposição “Trabalhadores”, será inaugurada nesta sexta-feira (30) na Casa Firjan, no Rio de Janeiro, transformando-se em uma emocionante homenagem à sua vida e obra.
A notícia do falecimento de Salgado, confirmada pelo Instituto Terra – organização ambiental cofundada por ele e sua esposa, Lélia Wanick Salgado –, reverberou globalmente, com líderes e instituições prestando homenagens ao artista que dedicou sua lente a temas cruciais da humanidade e do meio ambiente. A Casa Firjan, que originalmente planejava celebrar a genialidade de Salgado em vida, expressou profunda comoção e surpresa, reconhecendo que a exposição agora assume um caráter ainda mais profundo: um tributo a um homem, profissional e ativista que deixou um legado incomparável para a arte e a consciência social.
“Trabalhadores”: Um Retrato da Condição Humana
A exposição “Trabalhadores”, que segue até 21 de setembro, apresenta um acervo impactante de 149 fotografias em preto e branco, clicadas entre 1986 e 1992. Essas imagens poderosas documentam a vida de homens e mulheres em diversas partes do mundo que ainda utilizam métodos arcaicos de produção, retratando a essência do trabalho manual e a dignidade humana em meio a condições muitas vezes adversas. A curadoria e o design da mostra são assinados por Lélia Wanick Salgado, sua companheira de vida e trabalho, que sempre esteve ao seu lado na concepção de seus projetos.
A entrada para a exposição é gratuita, e os visitantes podem explorar a mostra de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h30. É uma oportunidade única para mergulhar no universo de um fotógrafo que transformou o fotojornalismo em uma forma de arte e denúncia social.
A Trajetória de um Olhar Único
Nascido em Aimorés, Minas Gerais, em 1944, Sebastião Ribeiro Salgado Júnior, economista de formação, encontrou na fotografia sua verdadeira vocação. Exilado em Paris durante a ditadura militar no Brasil, ele começou a fotografar no início da década de 1970, abandonando a carreira de economista para se dedicar integralmente à arte de capturar imagens. Sua obra é marcada pelo estilo em preto e branco e pela abordagem humanitária e ambiental.
Ao longo de mais de 50 anos de carreira, Salgado viajou por mais de 120 países, registrando em suas lentes grandes temas da humanidade. Entre seus projetos mais aclamados estão “Serra Pelada” (1999), que documentou a corrida do ouro no Pará; “Êxodos” (2000), que retratou o drama de populações migrantes e refugiadas; e “Gênesis” (2013), uma celebração da beleza intocada do planeta. Mais recentemente, dedicou-se à “Amazônia”, um projeto grandioso que explora a beleza e a fragilidade da floresta e de seus povos indígenas.
Salgado foi membro de renomadas agências como Sygma, Gamma e Magnum Photos, antes de fundar a Amazonas Images com Lélia Wanick Salgado em 1994. Ele recebeu inúmeros prêmios e reconhecimentos internacionais, consolidando-se como um dos maiores fotógrafos documentais da história. Seu legado não se limita apenas às imagens; através do Instituto Terra, ele e Lélia lideraram um projeto monumental de reflorestamento em sua fazenda de origem em Minas Gerais, transformando uma área devastada em uma floresta exuberante, um símbolo de esperança e restauração ambiental.
A exposição “Trabalhadores” é, portanto, muito mais do que uma retrospectiva; é uma celebração da vida, do trabalho e do impacto imensurável de Sebastião Salgado na arte e na consciência coletiva.