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Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revela nomes e sobrenomes mais populares no Brasil

Foto: Divulgação/Agência Brasil
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Um novo panorama mostra que nomes como Maria, José, Ana e João seguem à frente das estatísticas, mas apontam para tendências de mudança nos registros brasileiros — entre permanência histórica e busca por originalidade.

Escolher o nome de um filho é um ato que vai muito além da sonoridade bonita: carrega história, tradição, cultura e — cada vez mais — também o desejo de singularidade. E o mais recente levantamento do IBGE traz exatamente esse retrato: os nomes que marcam gerações e as pistas de como essa escolha tem evoluído no Brasil.

Os dados que impressionam

Segundo o IBGE, o nome Maria lidera o ranking nacional de nomes mais registrados, com cerca de 11,7 milhões de registros. Em seguida vêm José (5,7 milhões) e Ana (3 milhões). Ainda no topo, nomes como João, Antônio, Francisco, Carlos e Pedro fazem parte do seleto grupo que ocupa as primeiras posições há décadas.

Além disso, o IBGE também disponibiliza ferramenta pública em que é possível consultar quantas pessoas têm determinado nome e a partir de que década ele começou a ganhar popularidade ou diminuir.

Por que esses nomes continuam na liderança

A permanência desses nomes tão tradicionais (Maria, José, Ana, João, etc.) pode ser explicada por pelo menos três fatores principais:

  • Tradição religiosa: nomes de origem bíblica ou que têm forte ligação com a fé seguem com grande apelo. Maria e José são exemplos claros.
  • Continuidade familiar: Em muitas famílias, o nome de avós, tios ou bisavós é escolhido em homenagem, e essa repetição gera uma forte presença de determinados nomes ao longo de gerações.
  • Impacto cultural e midiático: Novelas, celebridades, personagens marcantes influenciam escolhas de nomes. Além disso, nomes mais fáceis de pronunciar ou grafar acabam tendo vantagem.

E as mudanças começam a aparecer

Embora a liderança dos nomes tradicionais seja sólida, há sinais de que as escolhas de nomes começam a mudar — especialmente entre os mais recentes registros e entre quem busca fugir do comum. Um levantamento indica que nomes antes muito usados estão caindo em desuso, enquanto opções mais curtas, com grafia moderna ou de influência estrangeira ganham terreno.

Por exemplo, estudos mostram que, entre as décadas mais recentes, nomes como Miguel, Arthur, Alice, Laura e Heitor aparecem com maior frequência — substituindo ou concorrendo com os nomes “clássicos”.

O que isso nos diz sobre identidade e sociedade

A escolha do nome reflete mais do que apenas moda ou estética: ela revela como as famílias percebem suas origens, aspiram o futuro e se conectam com o ambiente ao redor.

  • A repetição de nomes como Maria ou José sugere continuidade — da fé, da família, daquilo que já deu certo para famílias anteriores.
  • O aparecimento de nomes mais “modernos” ou diferentes sugere o desejo de individualidade, de marcar uma nova fase ou fugir do “já visto”.
  • A consulta pública aos registros do IBGE permite que cada pessoa possa identificar quantas pessoas compartilham seu nome, o que abre espaço para reflexões sobre “ser comum” ou “ser único”.

Dados práticos: os 20 nomes mais registrados

Para ilustrar, aqui estão alguns dos nomes que mais aparecem nos registros do país, segundo o levantamento:

  1. Maria – cerca de 11,7 milhões de registros
  2. José – cerca de 5,7 milhões
  3. Ana – cerca de 3,1 milhões
  4. João – cerca de 2,9 milhões
  5. Antônio – cerca de 2,6 milhões
    … (e seguem nomes como Francisco, Carlos, Paulo, Pedro, Lucas, etc)

Top 10 nomes femininos no Brasil:

  1. Maria (12.224.470 pessoas)
  2. Ana (3.929.951)
  3. Francisca (661.562)
  4. Julia (646.299)
  5. Antonia (552.951)
  6. Juliana (536.687)
  7. Adriana (533.801)
  8. Fernanda (520.705)
  9. Marcia (520.013)
  10. Patricia (499.140)

Top 10 nomes masculinos no Brasil:

  1. José (5.141.822 pessoas)
  2. João (3.410.873)
  3. Antônio (2.231.019)
  4. Francisco (1.659.196)
  5. Pedro (1.613.671)
  6. Carlos (1.468.116)
  7. Lucas (1.332.182)
  8. Luiz (1.328.252)
  9. Paulo (1.326.222)
  10. Gabriel (1.201.030)

Sobrenomes e outras curiosidades

Embora o foco principal desses levantamentos seja o nome de batismo, lembramos que os sobrenomes também carregam histórias fortes — de origem étnica, geográfica ou de ancestralidade. Por exemplo, o sobrenome “Santos” tem origem luso-hispânica e longas raízes no Brasil.

Além disso, o IBGE já registrou que existem mais de 130 mil nomes diferentes entre os brasileiros — o que mostra diversidade, mesmo com tanta repetição de nomes tradicionais.

Top 10 Sobrenomes no Brasil:

  1. Silva (34.030.104 pessoas)
  2. Santos (21.367.475)
  3. Oliveira (11.708.947)
  4. Souza (9.197.158)
  5. Pereira (6.888.212)
  6. Ferreira (6.226.228)
  7. Lima (6.094.630)
  8. Alves (5.756.825)
  9. Rodrigues (5.426.540)
  10. Costa (4.861.083)

Por que a surpresa ainda existe

Mesmo com estatísticas tão claras, muitas pessoas se sentem surpresas ao descobrir quantas outras pessoas compartilham seu nome ou ao perceber como um nome que parecia “comum” é, de fato, uma escolha muito frequente. Também existe curiosidade sobre como certas escolhas podem “marcar época” ou serem associadas a determinadas gerações.

O levantamento do IBGE coloca frente a nós um espelho: há nomes que atravessam décadas sem perder força, porque falam de fé, de memória e de pertencimento. Ao mesmo tempo, há sinais de que estamos mudando: a busca por algo novo, por ruptura ou por o que seja “diferente” está cada vez mais presente no momento de batizar uma criança. Nomear é, portanto, contar uma história — da família, do tempo e da sociedade — e tanto a tradição quanto a inovação têm seu lugar nessa narrativa.