Doença crônica caracterizada por acúmulo desproporcional de gordura nos membros inferiores, o lipedema atinge principalmente mulheres e requer atenção médica especializada para diagnóstico precoce e manejo eficaz
O lipedema é uma enfermidade crônica que afeta o tecido adiposo, resultando no acúmulo desproporcional de gordura, principalmente em pernas e quadris, podendo atingir também os braços. Comumente confundido com obesidade, celulite ou linfedema, o lipedema acomete cerca de 11 a 12% das mulheres adultas e é frequentemente ignorado nos diagnósticos clínicos.
Os sinais mais evidentes incluem:
- Acúmulo simétrico de gordura de cintura para baixo;
- Dor ao toque e presença de hematomas espontâneos, devido à fragilidade capilar;
- Sensação de peso, pressão nas pernas, fadiga e dificuldade para caminhar;
- Nódulos palpitáveis em coxas e panturrilhas e alteração na pele (textura tipo casca de laranja);
- Inchaço persistente dos membros com aparência flácida, que não melhora com dieta, exercício ou elevação das pernas.
Esses sintomas progridem gradualmente e podem agravar-se com o tempo. Em estágios avançados, o lipedema pode se associar ao linfedema (chamado de lipolinfedema), aumentando os riscos de complicações.
Causas e fatores de risco
Embora ainda não exista consenso sobre suas causas, o lipedema parece estar relacionado a fatores genéticos, hormonais e inflamatórios. Ele costuma surgir ou piorar em fases de alterações hormonais, como puberdade, gravidez, menopausa, ou uso de anticoncepcionais. Históricos familiares reforçam a hipótese genética.
Diagnóstico clínico e exames
O diagnóstico é essencialmente clínico: o médico avalia o padrão simétrico de gordura, sensibilidade à pressão, presença de hematomas e exclusão de alterações nos pés e mãos. Complementam o diagnóstico exames como:
- Bioimpedância ou densitometria: para avaliar composição corporal e diferenciar de obesidade comum;
- Ultrassom: descartar linfedema, varizes, tromboses e inflamação da gordura ;
- Linfocintilografia, ressonância magnética, tomografia: utilizados para descartar linfedema, mapear o tecido adiposo e avaliar a extensão da doença .
É fundamental diferenciar lipedema de condições como linfedema — marcado por edema em pés/mãos e teste de Stemmer positivo — e de obesidade, cujos sinais são distribuição uniforme de gordura e ausência de dor cutânea .
A evolução do lipedema ocorre em cinco fases:
- Início com aumento de gordura sem alterações cutâneas;
- Surgimento de depressões e lipomas;
- Formação de gordura em excesso e pele endurecida;
- Estágios avançados com formação de fibrose;
- Progressão para lipolinfedema .
Não há cura definitiva. O foco é aliviar sintomas e melhorar qualidade de vida:
- Terapia de compressão (meias e roupas compressivas);
- Drenagem linfática manual e fisioterapia para reduzir inchaço e melhorar mobilidade;
- Exercícios de baixo impacto, como natação, caminhada e pilates;
- Dieta anti-inflamatória associada a acompanhamento nutricional;
- Medicamentos como agonistas de GLP-1 em caso de obesidade associada ;
- Lipoaspiração tumescente, indicada em casos graves, para retirar gordura acumulada .
Tratamentos complementares podem incluir fisioterapia drenante, terapia física e acompanhamento psicológico, dada a frequência de impactos na saúde mental, como depressão e ansiedade .