Durante encontros em Belém e em agendas internacionais, lideranças reforçam que enfrentar as mudanças climáticas e reduzir desigualdades devem caminhar juntas, enquanto especialistas destacam avanços e desafios desde a assinatura do Acordo de Paris, em 2015.
O debate climático global voltou a ganhar destaque com as recentes declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o Acordo de Paris, firmado em 2015 e que estabelece metas para limitar o aquecimento global. Lula afirmou que o mundo está distante do compromisso assumido pelos países para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e pediu mais responsabilidade e união entre as nações. Segundo o presidente, os avanços até agora não têm sido suficientes para conter os impactos das mudanças climáticas, que já afetam de forma direta populações vulneráveis em diversas regiões do planeta.
As declarações ocorreram durante uma agenda em preparação para a COP30, que será realizada em 2025 em Belém, no Pará. O evento deve reunir líderes de praticamente todos os países que compõem a Organização das Nações Unidas, além de pesquisadores, organizações ambientais, movimentos sociais e representantes indígenas, que há anos reivindicam protagonismo na pauta ambiental.
Durante discussões recentes realizadas em Belém, foi reforçado que o combate à fome deve ser reconhecido como um elemento essencial na política climática. A ideia é que a transição para um planeta mais sustentável não pode ignorar a realidade de milhões de pessoas que enfrentam insegurança alimentar. Especialistas destacaram que eventos extremos, como secas prolongadas, enchentes e ondas de calor, afetam diretamente a produção de alimentos e aumentam a desigualdade social.
A partir dessa perspectiva, o Brasil tem buscado se posicionar como uma voz que conecta clima e justiça social, argumentando que não é possível construir um futuro sustentável sem incluir medidas concretas de combate à pobreza e à fome. Esse alinhamento também reforça o papel da Amazônia no debate internacional. A floresta é considerada fundamental para o equilíbrio climático global, mas enfrenta pressão constante de desmatamento e queimadas.
Apesar das críticas ao ritmo lento de implementação das metas do Acordo de Paris, representantes internacionais reconhecem que, desde 2015, houve progresso na cooperação entre países e no desenvolvimento de tecnologias mais limpas. Durante um encontro em Belém, Laurent Fabius, ex-ministro francês que presidiu as negociações da COP21, destacou que políticas públicas ambientais avançaram em muitos países, mas alertou que o tempo é curto e a urgência é real.
A COP30, marcada para acontecer em território amazônico, é vista como um momento simbólico para reavaliar compromissos e pressionar governos e empresas por ações mais efetivas. Para especialistas, esse encontro pode ser decisivo para definir o ritmo das políticas climáticas nas próximas décadas.
Enquanto isso, organizações sociais, comunidades tradicionais e pesquisadores defendem que soluções climáticas devem incluir a participação de quem vive nos territórios afetados. A expectativa é que a conferência aproxime diferentes setores e fortaleça acordos que garantam proteção ambiental, soberania alimentar e desenvolvimento econômico sustentável.