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Lula reconhece erro em fala sobre traficantes e diz que “fez uma frase mal colocada” durante discurso na Indonésia

Foto: Reprodução
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Após repercussão negativa, o presidente explica declaração em que chamou traficantes de “vítimas dos usuários” e afirma que não quis minimizar o crime

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu nesta sexta-feira (24) que “fez uma frase mal colocada” ao comentar, durante uma entrevista na Indonésia, sobre o tráfico de drogas. A fala original, feita no país asiático, gerou grande repercussão e críticas tanto de setores da oposição quanto de parte da opinião pública brasileira.

Durante sua passagem pela Indonésia, Lula afirmou que “os traficantes de drogas são vítimas dos usuários”, declaração que rapidamente viralizou nas redes sociais e foi amplamente explorada por adversários políticos. A oposição acusou o presidente de relativizar crimes graves e de demonstrar insensibilidade diante da violência associada ao tráfico no Brasil.

Diante da repercussão, Lula esclareceu o contexto de sua fala. Segundo ele, a intenção era destacar que o combate às drogas não pode se restringir à repressão, mas deve incluir políticas públicas voltadas à prevenção e ao tratamento da dependência química. “Eu fiz uma frase mal colocada. O que eu quis dizer é que, muitas vezes, o jovem que entra para o tráfico é vítima de um sistema que não lhe dá oportunidade. Mas isso não significa justificar o crime ou a violência”, explicou o presidente.

Lula também reforçou que sua trajetória política sempre esteve ligada à luta contra as desigualdades e à defesa da juventude das periferias. “O que eu quero é que o Estado chegue antes do tráfico. Que o Estado dê escola, cultura e oportunidade antes que o crime chegue”, afirmou.

A fala foi feita em meio à viagem oficial de Lula à Indonésia, onde o presidente participou de encontros bilaterais e discutiu temas relacionados à economia, meio ambiente e cooperação internacional. A polêmica, no entanto, acabou ganhando destaque maior que a agenda diplomática, com parlamentares da oposição usando a declaração como munição política.

Entre os críticos, o ex-presidente Jair Bolsonaro comentou o episódio nas redes sociais, afirmando que “quem defende bandido não pode governar o Brasil”. Já o ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, saiu em defesa do presidente, afirmando que a fala foi “retirada de contexto” e que Lula “tem razão ao lembrar que o tráfico é também uma consequência das desigualdades sociais”.

Nas redes, parte dos apoiadores do governo defendeu que a polêmica reforça a necessidade de um debate mais profundo sobre as políticas de drogas no país. Pesquisadores e especialistas lembraram que o Brasil possui uma das maiores populações carcerárias do mundo, com um grande número de presos por crimes relacionados ao tráfico, em especial jovens negros e pobres.

Lula encerrou o assunto dizendo que “não tem problema em reconhecer quando erra” e que “quem fala com o povo todos os dias pode, às vezes, se expressar de forma equivocada”. O presidente destacou ainda que continuará defendendo políticas de inclusão e oportunidades para a juventude como forma de combater o avanço do tráfico e da violência.