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Mais de 450 animais silvestres são resgatados em operação na Bahia

Crédito: Reprodução/COPPA
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Fiscalização integrada atua entre 12 e 25 de outubro e identifica criadouros irregulares, maus-tratos e infrações ambientais em municípios do Vale do São Francisco

Entre os dias 12 e 25 de outubro foi realizada a 52.ª etapa da Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) do Rio São Francisco (FPI) na Bahia, com atuação em 117 municípios da bacia do rio São Francisco. No período, equipes de fiscalização, órgãos ambientais e de segurança atuaram de forma conjunta e lograram o resgate ou recebimento voluntário de 454 animais silvestres. Desses, 228 foram devolvidos à natureza em locais oficialmente preparados para soltura.

A operação apurou uma série de infrações em várias frentes. Na área de fauna, além do número acima, os fiscais identificaram criadouros ilegais — por exemplo, em Miguel Calmon foi descoberta uma rinha clandestina com 33 galos e galinhas — resultado que levou à condução do responsável à delegacia. Em paralelo, as equipes realizaram inspeções de empreendimentos de mineração nos municípios de Campo Formoso, Mirangaba, Jaguarari e Ourolândia, e verificaram supressão de vegetação nativa sem autorização, falta de planos de recuperação ambiental e passivos ambientais em áreas de extração paralisadas.

Segundo a promotora de Justiça e coordenadora-geral da FPI, Luciana Khoury, o avanço nessa região reflete a continuidade de programas de educação ambiental formal e não formal, com mais de 100 Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) firmados na bacia. “Na região de Jacobina tivemos muitos avanços nos municípios, com destaque especial para Mirangaba”, afirmou.

Detalhes do resgate de fauna

As equipes encontraram os animais em diferentes condições: muitos sequer eram mantidos em condições mínimas de bem-estar, e o fato de haver entrega voluntária demonstra também que parte da população reconhece a irregularidade. O resgate ou entrega inclui espécies que precisavam de reabilitação para serem devolvidas à natureza. O recado é que o tráfico, a criação irregular ou o comércio ilegal de animais silvestres continuam como vetor de ação para as autoridades. Segundo os dados, das centenas de animais resgatados, menos da metade já foi concluído o processo de soltura.

Impacto e significado da ação

Essa fiscalização representa não apenas uma intervenção pontual, mas reforça a ideia de que a vigilância no Vale do São Francisco — região que abriga comunidades, empreendimentos e áreas de natureza sensível — é contínua e multifacetada.
Para o meio ambiente, a devolução de 228 animais é um número expressivo, e cada animal devolvido significa menos pressão sobre ecossistemas que já enfrentam desafios como desmatamento, caça ilegal e tráfico de fauna.
No âmbito social, o combate às rinhas e às condições de maus-tratos também é um componente de segurança pública, de bem-estar animal e de consciência cívica.

O que ainda precisa ser observado

  • Verificar o destino dos animais que ainda não foram soltos: quantos seguem em reabilitação, quantos ficarão em viveiros ou centros de triagem.
  • A identificação dos responsáveis pelos criadouros irregulares ou pelas rinhas e a efetiva apuração civil e criminal dos casos.
  • A eficácia dos TACs firmados e se haverá cumprimento efetivo por parte dos empreendimentos minerários ou de uso de recursos naturais que apresentaram infrações.
  • A continuidade desse tipo de operação e o fortalecimento dos equipamentos de fiscalização, educação ambiental e centros de reabilitação de fauna.

A operação realizada no interior da Bahia demonstra que, mesmo em locais com desafios de logística, cidades menores ou áreas rurais, o esforço institucional consegue agir de modo integrado e produzir resultados palpáveis. O resgate de centenas de animais e a devolução de parte deles à natureza mostra como o meio ambiente, a fauna e a sociedade podem receber atenção combinada — fiscalização, educação e ação corretiva. Fica claro também que cada entrega voluntária ou identificação de maus-tratos ou tráfico é um passo para reduzir danos ao patrimônio natural do país e reforçar que a criação ou manutenção irregular de animais silvestres não é algo tolerável.