Nova diretriz começa em outubro de 2025: exame pode ser solicitado mesmo sem sintomas, com rastreamento até os 74 anos e ações complementares de diagnóstico e tratamento
Nesta terça-feira, 23 de setembro de 2025, o Ministério da Saúde anunciou uma importante mudança na política de rastreamento do câncer de mama no Sistema Único de Saúde (SUS). Pela primeira vez, mulheres entre 40 e 49 anos poderão fazer mamografia preventiva, mesmo sem apresentar sintomas ou histórico familiar — desde que avaliada de forma conjunta com o profissional de saúde e mediante decisão informada.
Essa faixa etária concentra cerca de 23% dos casos de câncer de mama registrados no Brasil, o que torna a medida essencial para a detecção precoce e aumento das chances de cura. Até então, o SUS indicava o exame apenas para mulheres entre 50 e 69 anos, prevenindo o câncer de forma populacional, bienalmente.
Outra mudança: a faixa etária para o rastreamento ativo — quando o exame é solicitado de forma preventiva a cada dois anos — foi ampliada de 69 para 74 anos. O grupo dos 50 aos 74 anos concentra quase 60% dos casos da doença.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, classificou o anúncio como histórico, destacando que a medida fortalece o compromisso com o cuidado às mulheres e com o sistema público de saúde. Ele ressaltou que o diagnóstico precoce é o que permite reduzir a mortalidade e acelerar o início do tratamento.
Ações complementares
O Ministério também lançou um pacote estratégico que inclui:
- A oferta de 27 carretas de saúde da mulher em 22 estados, dentro do programa “Agora Tem Especialistas”, para realizar mamografia, ultrassonografia, biópsias, consultas presenciais e por telemedicina. A expectativa é realizar até 120 mil atendimentos em outubro, com investimento de R$ 18 milhões.
- A aquisição de 60 kits de biópsia com tecnologia de imagem 2D e 3D especializada, visando maior precisão e menos repetição de procedimentos, com investimento de R$ 120 milhões pelo edital do PRONON.
- A incorporação de novos medicamentos ao SUS, a partir de outubro, incluindo inibidores de CDK 4/6 e trastuzumabe entansina, voltados a tratamentos mais modernos para câncer de mama em fases avançadas.
Contexto epidemiológico e posicionamento técnico
Dados do INCA mostram que o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres brasileiras, com estimativa de 37 mil novos casos por ano. Em 2024, o SUS realizou cerca de 4 milhões de mamografias preventivas e 376,7 mil exames diagnósticos.
A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e outras entidades médicas defendem há anos que o rastreamento deve começar aos 40 anos, com frequência anual, baseadas em evidências nacionais e internacionais. A SBM considerou a medida do Ministério uma vitória histórica para a saúde das mulheres.
Apesar dos benefícios, alguns guias, como o do INCA, alertam que a mamografia em mulheres de 40-49 anos envolve uma maior chance de resultados falso-positivos, biópsias desnecessárias e pequeno risco de radiação a longo prazo. Portanto, recomenda-se que a decisão seja personalizada e acompanhada por profissional de saúde.
Por que isso importa
Essa mudança sinaliza um passo decisivo na prevenção do câncer de mama no Brasil. Ao permitir que mulheres de 40 a 49 anos façam mamografia sob demanda e prolongar o rastreamento até os 74 anos, o país avança na detecção precoce, acesso ao tratamento e redução da mortalidade. Conectar diagnóstico, mobilização de tecnologia móvel e acesso a terapias modernas reforça o SUS como um sistema inclusivo e eficaz.