Com obras essenciais previstas para começar em 2028, o museu luta por um aumento na verba destinada à manutenção, enquanto discute judicialmente um acordo histórico de 1962 que envolve o Estado e a família do artista.
O Museu Van Gogh, em Amsterdã, lar da maior coleção do artista no mundo, está diante de uma situação alarmante: pode fechar suas portas caso o governo da Holanda não amplie o repasse para custear uma reforma urgente. A diretora da instituição, Emilie Gordenker, lançou o alerta de que, sem os ajustes necessários, será impossível garantir a segurança das pinturas, dos visitantes e da equipe — e a interrupção nas exposições pode acelerar o colapso da experiência cultural que atrai milhões de pessoas.
O prédio, erguido em 1973, vinha recebendo cerca de 1,8 milhão de visitantes por ano, e acumulou cerca de 57 milhões de visitas em sua história. Após cinco décadas de uso intenso, a infraestrutura apresenta falhas graves — sistemas de climatização, elevadores, rede de esgoto, além de sérios problemas de segurança e sustentabilidade — exigindo uma intervenção estruturada.
O plano de intervenções, chamado Masterplan 2028, está orçado em 104 milhões de euros, com início previsto para 2028 e duração estimada de três anos. Durante as obras, o museu deverá manter parte de suas atividades, mas isso implicará queda na arrecadação — estimada em até 50 milhões de euros, conforme reservas usadas para mitigar o impacto.
O centro do impasse está no valor do subsídio anual concedido pelo governo: atualmente, são 8,5 milhões de euros, enquanto o museu afirma precisar de 11 milhões para viabilizar a reforma e garantir a manutenção futura. A diferença de 2,5 milhões de euros por ano coloca o acervo e a sobrevivência da instituição em risco.
O embate tem origem num acordo firmado em 1962, entre a família de Van Gogh e o Estado neerlandês: a coleção — composta por mais de 200 pinturas, 500 desenhos, 900 cartas e outras obras de contemporâneos — foi legada à Fundação Vincent van Gogh sob a condição de que o Estado construísse e mantivesse um museu para exibi-la. Agora, a instituição está recorrendo à Justiça para que o governo honre este compromisso, com audiência marcada para fevereiro de 2026.
Em resposta, o Ministério da Cultura afirma que o subsídio é suficiente, baseado em estudos de especialistas independentes, e que o museu deve arcar com os custos extras por conta própria — mas a instituição discorda veementemente. A Fundação que administra o acervo reforça: “o Estado deve cumprir o acordo” feito há mais de seis décadas.