A partir de 18 de setembro de 2025, valores entre 120-139/80-89 mmHg deixam de ser considerados normais e passam a exigir atenção e mudanças no estilo de vida, conforme novas orientações da SBC, SBN e SBH.
Uma grande atualização nas boas práticas médicas brasileiras acaba de redefinir o que até agora era visto como pressão “normal limítrofe”. Segundo a nova Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025, liderada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), em parceria com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), valores entre 120 e 139 mmHg na parte sistólica ou 80 e 89 mmHg na parte diastólica (popularmente “12 por 8”) passam a ser classificados como pré-hipertensão.
Até então considerados normais, esses números agora demandam uma atenção mais proativa dos profissionais de saúde. O objetivo é identificar precocemente indivíduos em risco e incentivar intervenções — especialmente as não medicamentosas, como mudanças de hábitos — antes que a hipertensão se instale de forma mais grave.
Mudanças principais e contexto
- A nova classificação está alinhada com diretrizes internacionais adotadas em 2024 pelo Congresso Europeu de Cardiologia.
- A pressão considerada controlada em pacientes hipertensos passou a ser abaixo de 130/80 mmHg, substituindo o antigo padrão de 140/90 mmHg.
- A intenção é reduzir riscos de complicações graves como infarto, AVC e insuficiência renal.
O que fazer se estiver com pressão 12 por 8?
- Adotar mudanças no estilo de vida: dieta saudável (como a DASH, rica em frutas, vegetais, grãos integrais, laticínios desnatados e carnes magras), redução de sal, controle do peso e prática regular de exercício físico (mínimo de 150 minutos semanais), além de reduzir álcool e tabaco.
- Controle do estresse com técnicas como meditação e exercícios de respiração.
- Em casos com alto risco cardiovascular ou com comorbidades, após três meses de tentativas sem melhora, o uso de medicamentos pode ser indicado.
Novidades na diretriz 2025
- Introdução do escore PREVENT, ferramenta que calcula o risco cardiovascular em 10 anos, considerando fatores como obesidade, diabetes, colesterol alto e lesão em órgãos-alvo. Isso permite um tratamento mais personalizado e intensivo quando necessário.
- Capítulos dedicados ao SUS, com recomendações adaptadas à realidade do sistema público, incluindo protocolos multiprofissionais e monitoramento ambulatorial ou domiciliar da pressão arterial.
- Orientações específicas para a saúde da mulher, como acompanhamento durante uso de anticoncepcionais, gestação, peri e pós-menopausa, além de mulheres que tiveram hipertensão gestacional, que estão sob maior risco cardiovascular futuro.
Por que isso importa?
- Cerca de 28% dos adultos brasileiros têm hipertensão, mas apenas um terço consegue manter a pressão sob controle com tratamento adequado.
- Ao redefinir limites e intensificar a prevenção, a nova diretriz busca reduzir a progressão da doença e prevenir complicações crônicas.