Analistas apontam que medidas podem começar já na próxima semana em reação à condenação de Bolsonaro
Os Estados Unidos estão considerando adotar novas sanções contra autoridades brasileiras após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Jana Nelson, ex-subsecretária de Defesa dos EUA, avaliou três cenários possíveis: restrições de vistos, sanções financeiras e a exigência de que bancos brasileiros, como o Banco do Brasil, passem a implementar essas punições.
Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, criticou duramente o julgamento, classificando-o como “caça às bruxas”. Ele prometeu uma resposta “adequada” por parte dos EUA e já aplicou sanções à autoridade brasileira, incluindo o ministro Alexandre de Moraes, sob a Lei Magnitsky. O Itamaraty reagiu reafirmando que o poder judiciário brasileiro agiu com independência e que ameaças externas não vão intimidar o país.
Apesar da perspectiva de sanções financeiras, especialmente via Lei Magnitsky, há também conjecturas sobre restrições em transações bancárias. Christopher Garman, da Eurasia Group, alertou que familiares de autoridades brasileiras podem ser afetados pelas medidas, e que bancos do Brasil poderiam enfrentar multas caso se recusem a cumprir tais sanções.
Do outro lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não teme retaliações e que o governo está agindo com cautela. Ele defende a democracia brasileira e afirmou que o país agirá com reciprocidade se necessário — tudo isso sem prever ou antecipar as decisões dos EUA.
Contexto e antecedentes da crise
A crise entre Brasil e EUA não é nova: em 2025, o governo americano impôs tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, além de sanções individuais a autoridades ligadas ao Supremo Tribunal Federal. Tudo isso surgiu após a condenação do ex-presidente Bolsonaro e as pressões de Donald Trump para que o Brasil suspendesse os processos judiciais.
O Brasil respondeu formalmente junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), adotou a Lei da Reciprocidade e implementou medidas tarifárias temporárias sobre produtos americanos como forma de defesa. Embora a retaliação institucional tenha sido moderada, há preocupação com possíveis escaladas que afetem a economia e bancos nacionais.
Reação do STF e postura interna
Dentro do Supremo Tribunal Federal, a expectativa é que as sanções não alterem o funcionamento da Corte, conforme análise de Flávia Maia, do JOTA. O STF mantém sua atuação focada nas atribuições constitucionais e entende que assuntos como vistos ou sanções financeiras são de competência exclusiva do Executivo e do Itamaraty.
Por que isso importa
- As novas medidas dos EUA podem afetar setores estratégicos como comércio, finanças e diplomacia.
- O uso da Lei Magnitsky, já aplicada a Moraes, pode ser estendido a outros ministros ou seus familiares.
- O Brasil já dá sinais de que poderá responder com medidas de reciprocidade, sem comprometer sua independência institucional.
- A crise diplomática tem potencial para escalar, caso as sanções avancem do simbólico para o prático.