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Novo plano abre linha de crédito de R$ 40 bilhões para empresas afetadas pelo “tarifaço” dos EUA

Foto: Reprodução
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Programa Brasil Soberano permite empresas impactadas de exportar pagar até 50 % de tarifa aos EUA acessarem recursos com juros baixos, desde que mantenham empregos e invistam em inovação e diversificação

O Governo Federal abriu, em 18 de setembro de 2025, o protocolo para que empresas brasileiras afetadas pelas tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos — conhecidas como “tarifaço” — solicitem crédito por meio do Plano Brasil Soberano, em operação conduzida pelo BNDES.

Essa linha de crédito tem o objetivo de amenizar os efeitos das tarifas de até 50 % definidas em julho de 2025 pelo governo dos EUA sobre produtos exportados pelo Brasil. Em contrapartida aos recursos, as empresas beneficiadas devem se comprometer a preservar os empregos.

Como acessar o crédito

Para dar entrada na solicitação, a empresa deve:

  1. Acessar o site do BNDES e consultar sua elegibilidade, usando certificado digital via GOV.BR.
  2. Se elegível, o sistema mostra as linhas do Programa que podem ser solicitadas.
  3. Empresas de todos os portes podem dialogar com seu banco de relacionamento; grandes empresas podem solicitar diretamente ao BNDES.

Estrutura do apoio financeiro

O plano disponibiliza R$ 40 bilhões, sendo:

  • R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações (FGE), com linhas mais vantajosas para empresas que tiveram exportações com tarifas que representaram pelo menos 5 % do faturamento bruto entre julho de 2024 e junho de 2025.
  • R$ 10 bilhões do próprio BNDES, disponíveis para empresas que sofreram tarifa de qualquer nível, mesmo que não alcancem os 5 % de faturamento.

Linhas de financiamento disponíveis

Pelo FGE (até R$ 30 bilhões):

  • Capital de Giro (gastos operacionais)
  • Giro Diversificação (novos mercados)
  • Bens de Capital (máquinas e equipamentos)
  • Investimentos (inovação, adaptação produtiva, cadeia produtiva).

Pelo BNDES (até R$ 10 bilhões):

  • Capital de Giro Emergencial
  • Capital de Giro Diversificação.

Regras e prazos

  • Taxas de juros estimadas entre 7,2 % e 10,3 % ao ano, conforme porte da empresa e linha escolhida.
  • Prazos de 5 a 10 anos, com carência de 12 a 24 meses, dependendo da finalidade do crédito.
  • Valores máximos por empresa: até R$ 200 milhões para grandes empresas (capital de giro) e R$ 150 milhões para investimentos em bens de capital; até R$ 35 milhões para micro, pequenas e médias empresas.

Contexto e impacto

A tributação foi decretada oficialmente em 9 de julho de 2025 por Donald Trump, impondo tarifa de 50% sobre diversos produtos brasileiros a partir de 1º de agosto, alegando déficit comercial e insatisfação com decisões judiciais no Brasil — mesmo havendo superávit de US$ 7,4 bi dos EUA com o Brasil em 2024. O Brasil respondeu formalmente à OMC e adotou medidas de reciprocidade comercial em julho.

Apesar do impacto direto em setores como cimento, metalurgia, têxtil, móveis, químicos, máquinas e eletrônicos, o Ministério da Fazenda considera o efeito sobre o PIB brasileiro moderado, de 0,2 ponto percentual até dezembro de 2026, com maior pressão setorial e potencial agravamento caso haja deterioração das condições de crédito ou confiança.

O plano foi lançado em 13 de agosto de 2025, como resposta estratégica para proteger a indústria nacional, preservar empregos e impulsionar a diversificação de mercados e inovação, atuando em três frentes: fortalecimento produtivo; proteção aos trabalhadores; e diplomacia comercial multilateral.

Por que isso importa?

  • Dá suporte imediato às empresas exportadoras em risco direto com perdas de receita.
  • Ajuda a preservar empregos em setores estratégicos da economia.
  • Promove investimentos em inovação e busca de novos mercados, fortalecendo a resiliência comercial brasileira.
  • Serve como instrumento de resposta a abusos bilaterais nas relações comerciais.