A combinação de amivantamabe e lazertinibe, em estudo clínico, supera o tratamento tradicional e devolve qualidade de vida, representando um avanço promissor para quem convive com mutação genética
Um dos maiores desafios do câncer de pulmão — especialmente o tipo não pequenas células com mutação no gene EGFR — pode estar prestes a ganhar um adversário à altura. Um estudo clínico chamado MARIPOSA, apresentado no European Lung Cancer Congress em Paris, mostrou que a combinação das drogas amivantamabe (Rybrevant) e lazertinibe (Lazcluze) elevou a sobrevida dos pacientes de forma significativa.
Os resultados são impressionantes: 56% dos pacientes estavam vivos após 3,5 anos, contra 44% daqueles que receberam o tratamento padrão com osimertinibe. Isso representa uma redução de 25% no risco de morte — um salto importante, considerando que esse tipo de tumor avançado costumava levar a sobrevida média a apenas um ano.
Essa conquista é ainda mais inspiradora quando acompanhamos o relato de pacientes como Mara, que enfrentou a doença com recaídas após tratamento tradicional. Ao ingressar no estudo, ela recuperou autonomia para realizar atividades simples — como dirigir e ir às compras — e até retomou a prática de longas caminhadas. Para ela, esse tratamento trouxe não só tempo extra, mas dignidade e esperança renovada.
Além da eficácia, o estudo destaca o impacto positivo da combinação terapêutica sobre a qualidade de vida dos pacientes, rompendo com abordagens que, muitas vezes, limitavam atividades cotidianas por conta dos efeitos colaterais da quimioterapia.
Importante: tanto amivantamabe quanto lazertinibe já possuem aprovação da Anvisa, o que fortalece a viabilidade clínica da combinação.
E mais:
- Em outra pesquisa relevante, o medicamento osimertinibe teve nova indicação aprovada pela Anvisa para pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células em estágio III irressecável com mutação no EGFR. Esse tratamento único reduziu em 84% o risco de progressão ou morte, com sobrevida livre de progressão superior a 3 anos.
- E ainda há esperança para casos raros: um grupo brasileiro comparou os tratamentos disponíveis para tumores com fusão do gene ALK e descobriu que o alectinibe ou lorlatinibe proporcionam sobrevida de cinco anos em cerca de 62% dos pacientes, contra apenas 44% com brigatinibe.
Esses avanços mostram que estamos diante de um momento positivo na oncologia torácica: vários tratamentos-alvo já disponíveis no Brasil agora podem ser combinados ou reorientados para estender a vida e restaurar a dignidade dos pacientes frente a uma doença tão desafiadora.