A produção de Kleber Mendonça Filho pode concorrer em até cinco categorias no Oscar 2026, enquanto Wagner Moura rebate críticas e enaltece a democracia brasileira em meio a polêmicas.
O filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho e com Wagner Moura no papel principal, já aparece nos holofotes internacionais como forte candidato ao Oscar 2026. Segundo previsões do The Hollywood Reporter, a produção brasileira pode disputar até cinco categorias da premiação.
Entre as categorias esperadas estão:
- Melhor Filme,
- Melhor Diretor (Kleber Mendonça Filho),
- Melhor Roteiro Original (também de Mendonça Filho),
- Melhor Ator (Wagner Moura),
- e Melhor Filme Internacional.
Há ainda especulações menos certas sobre uma possível indicação para Atriz Coadjuvante, com o nome de Tânia Maria circulando entre as apostas.
Contexto do filme e premiações recentes
Ambientado em Recife, 1977, o longa acompanha Marcelo (Wagner Moura), um especialista em tecnologia que retorna à sua cidade natal com a intenção de buscar paz, mas se envolve num cenário marcado por segredos, conspirações e tensão política.
A obra estreou no Festival de Cannes 2025, onde teve grande destaque: Kleber Mendonça Filho venceu o prêmio de Melhor Direção e Wagner Moura foi eleito o Melhor Ator. O longa também saiu com o prêmio da crítica (FIPRESCI) e recebeu o prêmio AFCAE de cinema de arte.
No Brasil, o filme tem estreia marcada para o 6 de novembro, com distribuição da Vitrine Filmes.
A produção já havia sido escolhida pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil na disputa por uma indicação à categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar.
Wagner Moura e suas declarações polêmicas
Paralelamente às expectativas pelo Oscar, Wagner Moura deu entrevistas em que falou sobre política, crítica ao governo dos EUA e defendeu o estágio da democracia brasileira. O tema ganhou repercussão após um deputado bolsonarista sugerir que ele fosse investigado pelas autoridades americanas por críticas feitas ao ex-presidente Donald Trump.
Moura reagiu com ironia e tom firme:
“É ridículo. É muito vira-lata, é muito colonizado… Se forem me investigar, eu estou de boa.”
Ao ser questionado se haveria um tom crítico à democracia, ele foi categórico:
“Nossa democracia não é falha. Inclusive, a democracia brasileira está no seu melhor momento. A gente está tirando onda dos americanos.”
Ele também destacou que o discurso de seu personagem vai além da política formal:
“Aquele texto é sobre a democracia, mas mais do que isso, é sobre a verdade, sobre como o ocaso da verdade mina a democracia.”
Moura ainda ressaltou sua postura diante de críticas: acredita que essas acusações vêm de um discurso que prega liberdade de expressão, mas que, na prática, busca silenciar posições contrárias.
De volta ao teatro após 16 anos, ele protagoniza a peça Um Julgamento, que revisita o clássico Um Inimigo do Povo, de Ibsen, e traz questionamentos sobre verdade, poder e manipulação de narrativas.
Por que isso nos interessa?
- Para o cinema nacional, a possibilidade de múltiplas indicações ao Oscar representa uma nova chance de visibilidade global e reconhecimento artístico
- Politicamente, as declarações de Moura alimentam o debate entre arte, liberdade de expressão e crítica institucional
- Culturalmente, o projeto une passado (anos 1970, ditadura) e presente (crítica ao discurso autoritário) como espelhos do Brasil contemporâneo
A matéria completa com mais detalhes está disponível no portal da Revista Nova Imagem.