Filme de Kleber Mendonça Filho com Wagner Moura foi aprovado pela Academia Brasileira de Cinema; trajetória internacional e debates na escolha também entram em cena
A Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais anunciou em 15 de setembro que o longa “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, será o representante oficial do Brasil na corrida pelo Oscar 2026, na categoria de Melhor Filme Internacional.
A disputa envolveu seis finalistas: Baby, Kasa Branca, Manas, O Último Azul, Oeste Outra Vez e O Agente Secreto. A decisão foi tomada por uma comissão de 25 membros, formada por especialistas e profissionais do setor audiovisual.
A história do filme
Ambientado em Recife, no ano de 1977, o longa acompanha Marcelo (Wagner Moura), um especialista em tecnologia que retorna à sua cidade natal em busca de um recomeço. No entanto, ele acaba mergulhando em uma trama de espionagem e mistérios ligados ao período da ditadura militar brasileira. O elenco ainda conta com Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone, Alice Carvalho e o alemão Udo Kier, que já havia trabalhado em Bacurau.
Reconhecimento internacional
Desde sua estreia no Festival de Cannes, em maio, o filme tem chamado atenção. Venceu os prêmios de Melhor Diretor para Kleber Mendonça Filho, Melhor Ator para Wagner Moura, além do FIPRESCI, da crítica internacional, e o AFCAE, da associação de cinemas de arte da França.
Após Cannes, O Agente Secreto foi exibido em Toronto e Telluride, festivais importantes no circuito do Oscar. A revista Variety o destacou como forte candidato não apenas a Melhor Filme Internacional, mas também em categorias como direção, roteiro original e atuação.
Nos Estados Unidos, a distribuição está a cargo da Neon, mesma empresa que levou o sul-coreano Parasita ao Oscar, o que aumenta o peso da campanha. No Brasil, a estreia nos cinemas está prevista para 6 de novembro, pela Vitrine Filmes.
O debate na escolha
Apesar do favoritismo, a escolha não foi consensual. O filme Manas, de Marianna Brennand, recebeu apoio de cerca de 70 entidades e lideranças culturais devido ao seu tema social urgente — a exploração infantil na Ilha do Marajó. A disputa gerou discussões nas redes da Academia.
Especialistas, no entanto, destacam que a trajetória internacional já consolidada de O Agente Secreto e a força de sua distribuidora nos EUA tornam o filme uma aposta mais estratégica para o Oscar.
Próximas etapas
Agora, o longa disputará espaço entre os inscritos do mundo inteiro. Em dezembro, a Academia de Hollywood divulgará a lista de até 15 semifinalistas. Em janeiro, restarão apenas cinco indicados oficiais, que disputarão a estatueta na cerimônia marcada para 15 de março de 2026.
Segundo críticos, além da qualidade artística, o fator decisivo será a campanha de divulgação nos EUA. Com festivais internacionais já no currículo e o apoio da Neon, o Brasil chega com chances reais de destaque.
Conclusão
Com narrativa política forte, elenco estrelado, prêmios internacionais e apoio de uma distribuidora reconhecida, O Agente Secreto reúne os elementos que aumentam as chances do Brasil voltar a figurar entre os indicados ao Oscar de Melhor Filme Internacional. A polêmica em torno da escolha mostra como o cinema nacional também reflete debates entre representatividade social e estratégia internacional.