Tensão e estratégia em mais um clássico sul-americano: confrontos em altitudes extremas e histórico sob pressão.
A Seleção Brasileira desembarca em El Alto, cidade boliviana, para enfrentar a Bolívia na última rodada das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026. O palco será o Estádio Municipal de El Alto, localizado a impressionantes 4.090 m de altitude, o segundo estádio mais alto do mundo.
Estádio de El Alto: cenário extremo
Também chamado de Estádio Municipal de Villa Ingenio, o estádio abriu suas portas em 2017, com capacidade para cerca de 25 mil torcedores, e serve como casa do Always Ready, tradicional clube boliviano. Situado a mais de 4.000 m, supera o famoso Hernando Siles de La Paz por cerca de 500 metros.
A altitude encarece a tarefa de equipes visitantes e já gerou controvérsias até na FIFA. Nos últimos anos, ex-jogadores e treinadores alertaram sobre riscos à saúde dos atletas em jogos nesse tipo de local.
Histórico do Brasil jogando em altitude
Na altitude boliviana, o retrospecto brasileiro é desafiador: são 9 partidas disputadas entre La Paz e El Alto, com 3 vitórias, 2 empates e 4 derrotas.
A primeira derrota histórica aconteceu em 25 de julho de 1993, quando o Brasil perdeu por 2 a 0 nas Eliminatórias — um marco negativo após quatro décadas invictas na altitude. Houve revanche quatro anos depois, na Copa América de 1997, com vitória brasileira por 3 a 1 na final, e a célebre frase de Zagallo: “Vocês vão ter que me engolir”.
Mesmo com cinco vitórias somadas fora de casa em todas as competições, apenas três ocorreram em condições de altitude extrema. A maioria dos triunfos foi em La Paz (3.650 m) ou em Santa Cruz de la Sierra (cerca de 416 m), fora da zona de risco respiratório.
Estratégia de Ancelotti: plano especial para sobreviver à altitude
O técnico Carlo Ancelotti preparou um plano diferenciado para minimizar os efeitos da altitude: a seleção viajou um dia antes para Santa Cruz de La Sierra, e só subiu para El Alto poucas horas antes da partida, reduzindo o tempo de exposição à rarefação do oxigênio.
Além disso, optou por preservar jogadores com estilo mais explosivo, como Vinícius Jr., mesmo suspenso, lateralizando presença a quem possa render sob essas condições. Isso inclui a possível escalação de nomes como Andrey Santos, Caio Henrique e Samuel Lino, além de até oito mudanças em relação à equipe que venceu o Chile.
O que está em jogo
Já classificado para a Copa — mas com desempenho historicamente baixo nas Eliminatórias (o pior desde 1996) —, o Brasil precisa vencer para evitar encerrar a campanha com nova marca negativa (aproveitamento atual de cerca de 55 %).
Já a Bolívia, invicta em jogos disputados em El Alto (quatro vitórias e dois empates), ainda briga pelo menos por uma vaga na repescagem, dependendo de resultados paralelos.