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O dia em que meu corpo falou mais alto do que a minha força: um alerta necessário para nós, mulheres 40+ que treinam

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Vou começar com sinceridade, porque você sabe que aqui a gente conversa como amigas. Então se prepara pra ler, porque hoje eu tô falante.

Eu precisei levar um susto para entender que o meu corpo estava pedindo socorro.

Não foi um grito, nem um tom dramático… foi um recado silencioso. Um recado que, se eu não estivesse atenta, teria passado despercebido – como já aconteceu tantas vezes na minha vida, e talvez na sua também.

E é sobre isso que quero conversar hoje: sobre nós, mulheres 40+, que treinamos forte, fazemos mil coisas ao mesmo tempo, levantamos peso, cuidamos da casa, trabalhamos, damos conta de tudo… e às vezes esquecemos que não somos máquinas.

Quero contar o que aconteceu comigo há algumas semanas. Quero que você se sinta abraçada, compreendida e, principalmente, alertada. Porque essa conversa pode te poupar de um susto – ou de um problema maior.

O dia em que a minha urina escureceu depois do treino

Treinei normalmente no CrossFit. Eu estava numa sequência de treinos fortes, com progressão de cargas — e, para completar, participando de um desafio de cardio que envolvia:

  • centenas de polichinelos por dia,
  • burpees,
  • abdominais,
  • corrida,
  • aula de dança,
  • além de desafios semanais de prancha, corrida e burpees diários.

Tudo isso além do treino normal do box. Então eu treinava pela manhã, como de costume, e ao final do dia executava vários desses exercícios em grande quantidade, por minha conta própria. Tudo isso em busca de ganhar pontos e me manter no ranking do desafio. E lá estava eu achando que estava arrasando.

Foi então que, um dia, logo depois de um treino puxado, com cargas pesadas, percebi minha urina mais escura que o normal. Como bebo muita água, minha urina costuma ser quase transparente. Mas naquele dia… ela parecia um chá ou café fraco.

Ignorei. Simples assim. Porque é isso que nós fazemos, né? A gente sente, mas passa por cima. Afinal, “deve ser besteira”, “vai passar”, “exagerei um pouco, normal”.

À noite, depois de uma corrida, aconteceu de novo: urina escura. E aí meu alarme interno disparou. Junte isso com:

  • dor muscular fora do padrão, num nível que me impediu de dormir direito,
  • cansaço acumulado,
  • lombar reclamando,
  • e uma sensação de peso nas pernas.

Comecei a pesquisar. E a palavra que apareceu me gelou a espinha:

Rabdomiólise.

Respirei fundo. Bebi água como se fosse minha missão na Terra. Descansei. Observei meu corpo. Acompanhei cada sintoma. E, por prudência, fiz exames para tirar a dúvida.

Graças a Deus, deu tudo certo. Nenhuma alteração, nenhum sinal de rabdomiólise. Mas o episódio foi suficiente para deixar claro que meu corpo estava esgotado e que eu estava forçando mais do que ele podia entregar. Eu tinha cruzado uma linha invisível — a do excesso.

E é sobre essa linha que quero te alertar hoje.

Nós não temos mais 22 anos — e isso não é algo ruim

Quando contei ao meu coach, ele imediatamente me disse:

“Aline, isso é excesso. Músculo fadigado lesiona. Você não está dando descanso ao seu corpo.”

E depois veio a frase de uma amiga também da área, que entrou direto no meu coração — e que eu faço questão de colocar neste artigo:

“Se você tivesse 22 anos, dormisse 9h por noite, talvez aguentasse mais.
Mas acima dos 40, a recuperação é mais lenta — o corpo sinaliza antes.”

Eu ri. De nervoso. De identificação. E de alívio, por finalmente entender o que estava acontecendo.

Porque sim, meu amor… o corpo muda. E não é drama. É biologia:

  • o metabolismo fica mais lento;
  • a massa muscular exige mais estímulo e mais descanso;
  • a recuperação é mais demorada;
  • a inflamação aumenta com facilidade;
  • os hormônios impactam disposição, força e resistência.

E não existe treino forte sem descanso forte. O músculo não cresce durante o treino; ele cresce depois, quando você dorme, come e descansa.

E não estou querendo dizer que nós, mulheres 40+, não podemos ou conseguimos treinar pesado. Não me entenda mal. Estou dizendo que eu, Aline, com a minha rotina de treinos, recomeçando a treinar com tão pouco tempo e beirando os 45 anos, não tenho preparo físico para encarar um ritmo como o que eu havia assumido. E essa pode ser a realidade de várias mulheres iguais a mim.

E, por favor, quero deixar algo muito claro: não estou dizendo, em nenhum momento, que nós, mulheres 40+, não podemos nos desafiar. Muito pelo contrário. Eu acredito — e vivo isso na prática — que podemos treinar forte, sim; podemos levantar peso, correr, evoluir, superar marcas e fazer o que quisermos.

O que este episódio me ensinou não foi que eu “não dou conta”. Foi que todas nós damos conta — mas precisamos de preparo, paciência e inteligência no processo. O problema não é ter 40+. O problema é querer recuperar, em duas semanas, um desempenho que eu levei meses para construir.

Com planejamento certo, descanso adequado e autoconhecimento, nós somos plenamente capazes de treinar forte e irmos muito além do que imaginamos.

E por que nós insistimos em ultrapassar nossos limites?

Porque existe uma cobrança silenciosa — e às vezes bem alta — dentro de nós:

  • acompanhar o ritmo do box,
  • não parecer fraca,
  • mostrar que damos conta,
  • não “atrapalhar a dupla”,
  • não ficar para trás,
  • compensar o tempo parado.

E assim, sem perceber, vamos ignorando alertas simples:

“Estou cansada, mas vou assim mesmo.”
“É só hoje.”
“Não quero faltar.”
“Todo mundo tá fazendo, eu também faço.”

Até que o corpo fala mais alto — e aí ele não pergunta se você está pronta. Ele simplesmente te obriga a parar.

Uma confissão

E vou abrir meu coração aqui: antes de decidir escrever este texto, eu hesitei. Sabe por quê? Porque eu já sou julgada o suficiente por pessoas próximas. Sempre tem alguém dizendo que eu “exagero”, que “não preciso disso”, que “treino demais”. E, para ser sincera, eu temi que contar essa história seria quase como dar razão a essas vozes — mesmo sabendo que elas não conhecem o meu corpo, a minha mentalidade, o meu prazer em treinar, as minhas metas.

Até meu marido — que nem sabe que vivi tudo isso — eu preferi não contar, justamente para evitar julgamento. E ele vai ficar sabendo ao ler este texto.

E talvez você também já tenha vivido isso: quando você se empenha, se dedica, se desafia… e vem alguém dizer que você está “exagerando”, sem nem entender o que aquilo significa para você.

Mas aí eu parei, respirei e lembrei:

  • Este texto não é para quem me julga.
  • Este texto é para quem me entende.
  • Para quem vive o mesmo.
  • Para quem precisa desse alerta carinhoso.

E por isso eu decidi publicar.

Como reconheci os sinais

Aqui vão alguns sinais que eu vivi, e que você precisa aprender a identificar:

✔ dor muscular que não corresponde ao treino
✔ urina escura ou concentrada mesmo bebendo água
✔ cansaço que não passa
✔ sensação de peso nas pernas
✔ lombar travando
✔ dificuldade de recuperar fôlego
✔ redução da disposição
✔ sono pior
✔ queda de performance sem explicação

Sozinho, um sinal não significa muito, mas quando eles começam a se juntar… é pausa. Não é orgulho, não é fraqueza — é sabedoria.

Treinar dá prazer, dá sensação de dever cumprido, dá pertencimento, dá poder. Mas quero te dizer algo com todo carinho: Não existe força verdadeira sem autocuidado e nem saúde quando você se desgasta para vencer uma competição que só existe na sua cabeça. O descanso não é pausa, é  parte da estratégia, e  tão importante quanto a série, a carga, o tempo, o ritmo.

O exame, o alívio e a decisão que eu tomei

Quando peguei o resultado do exame e vi que estava tudo bem, o alívio veio como um abraço. Mas junto dele veio uma decisão de que não vou mais ultrapassar meus limites, vou treinar com inteligência, não com desespero e vou respeitar meus 40+ — e celebrar o privilégio de ter chegado até aqui me sentindo plena!

E é isso que eu desejo para você também

Que você treine forte, sim — porque força é liberdade.
Mas que treine com consciência — porque sabedoria é proteção.
Que se desafie, porque nosso corpo é incrível e capaz em qualquer idade.
Mas que não precise se machucar para provar nada a ninguém — nem ao mundo, nem a você mesma.

E que entenda:

Plenitude não é aguentar até quebrar.
Plenitude é saber quando respirar.

Com carinho, força e um pouquinho de ousadia,
Aline Ribeiro