Símbolo das ruas brasileiras e salvador de muitos em tempos de falta de bateria, o telefone público vai deixar de existir após decisão da Anatel que prioriza a expansão do 4G e 5G.
Pode parecer cena de filme antigo ou de uma realidade muito distante, mas quem viveu os anos 80, 90 e o início dos 2000 sabe bem o valor de uma ficha ou de um cartão telefônico. No entanto, o tempo passou e a tecnologia no bolso de cada brasileiro decretou o destino das famosas “conchas” coloridas. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) confirmou que os orelhões serão totalmente retirados das ruas de todo o país até dezembro de 2028.
A decisão faz parte de um novo acordo de renovação das concessões de telefonia fixa. Com o uso dos telefones públicos caindo drasticamente — hoje, a maioria deles serve apenas como suporte para cartazes de propaganda ou como parte da paisagem urbana — o governo e as operadoras entenderam que manter essa estrutura não faz mais sentido econômico ou prático.
Do cartão telefônico ao 5G
O grande motivo para o “adeus” aos orelhões é o redirecionamento de investimentos. O dinheiro que as operadoras gastavam para manter aparelhos que quase ninguém usa será agora usado para uma missão muito mais atual: levar internet 4G e 5G para áreas que ainda sofrem com a falta de sinal, especialmente em estradas, escolas públicas e vilas rurais.
No auge, o Brasil chegou a ter mais de 1 milhão de orelhões espalhados de Norte a Sul. Hoje, esse número caiu para pouco mais de 130 mil, e a maioria já não funciona mais ou sofreu com atos de vandalismo. Em estados como Pernambuco e Bahia, por exemplo, encontrar um aparelho operante tornou-se um desafio para quem ainda tenta fazer uma ligação de emergência.
Uma história de design brasileiro
Vale lembrar que o orelhão é um orgulho do design nacional. Criado pela arquiteta Chu Ming Silveira em 1971, o formato em concha foi pensado para proteger o usuário do barulho da rua e das chuvas, sem isolá-lo do ambiente. O sucesso foi tanto que o modelo brasileiro foi exportado para diversos países da América Latina e até para a China.
Apesar do carinho que muitos ainda têm pelo objeto, a realidade é que os smartphones e a comunicação via internet tornaram o telefone fixo público obsoleto. As poucas unidades que restarem até 2028 serão gradualmente removidas. As operadoras, porém, ainda terão o dever de garantir comunicação em locais de difícil acesso onde o sinal de celular ainda não chega de forma eficiente, mas isso será feito com novas tecnologias de transmissão.
Para quem ainda tem um cartão telefônico guardado na gaveta, ele está prestes a virar oficialmente um item de colecionador. É o fim de um ciclo de comunicação que conectou milhões de brasileiros antes da era do WhatsApp.