No desfecho do remake da novela, a icônica vilã não morre — e você descobre quem arquitetou o plano para salvá-la, quem atirou e como tudo se compara à versão de 1988.
A novela das 21h da TV Globo, reedição do clássico de 1988, trouxe nesta sexta-feira (17) um capítulo final repleto de surpresas: a célebre vilã Odete Roitman (interpretada por Débora Bloch) sobreviveu ao tiro que parecia lhe tirar a vida — ao contrário do que ocorreu na versão original.
A revelação do atirador
No remake adaptado por Manuela Dias, a autoria do disparo que atinge Odete fica clara nos minutos finais: é Marco Aurélio (vivido por Alexandre Nero) quem efetua o tiro.
Na cena, ele entra no quarto de Odete com o pretexto de entregar documentos, após ela afirmar que Heleninha (Paolla Oliveira) esteve lá instantes antes. A vilã diz: “Ninguém tem coragem em atirar em Odete Roitman”. Em seguida, Marco Aurélio a desafia e dispara.
O plano de salvação de Odete Roitman
Mas o enredo dá mais uma guinada: apesar do tiro, Odete não morre. Em vez disso, graças a um conluio silencioso com Freitas (Luís Lobianco) — funcionário da empresa TCA —, ela é levada a uma cirurgia em local clandestino para remover a bala e forja a própria morte.
Freitas descobre a suposta morte nos noticiários, recebe uma ligação da vilã e conduz sua fuga do país. Em uma das últimas cenas, Odete agradece Freitas: “Muito obrigada, Freitas. Você foi impecável”. Ele responde: “Eu que agradeço por a senhora ter lembrado de mim num momento como esse para pedir ajuda.” E ela encerra: “Odete Roitman sempre volta.”
Comparativo com a versão original de 1988
É aqui que as diferenças se tornam marcantes:
- Na versão de 1988, a pergunta que parou o Brasil era “Quem matou Odete Roitman?” — e a resposta veio: Leila (interpretada por Cássia Kis) foi quem atirou por engano, acreditando estar mirando Maria de Fátima.
- Naquela versão, Odete morria; no remake, ela sobreviveu, forjou sua morte e fugiu do país.
- A forma de encerrar personagens também mudou: em 1989, personagens corruptos escapavam impunes, em um jato, dando “banana” para o Brasil; no remake, há prisão, tornozeleira eletrônica e atualização para temas contemporâneos como impunidade, tecnologia e moral.
Repercussão e impactos
O desfecho não passou despercebido: nas redes sociais, memes e debates sobre “Odete está viva” tomaram conta da internet.
Por outro lado, parte do público criticou a falta de clareza em como o plano foi concretamente executado: “Como ela sobreviveu? Sangrou, corpo no chão, rabecão… e sumiu?”, questionaram os espectadores.
Para os produtores, a opção de reescrever o final reafirma que a tese da novela — da ética, da corrupção e da ambição — permanece relevante, mas num contexto atual, com outros recortes.
Por que essa mudança?
Segundo entrevistas com a autora, foi preciso atualizar a trama para os dias de hoje: valores, linguagem e moral mudaram desde os anos 80. Algumas falas foram revisadas e a personagem Odete ganhou nuances que combinam com a época contemporânea.
O remake manteve o tema central da versão original — “vale tudo?” — questionando até onde se vai pela ambição, mas resolveu não repetir integralmente o final para evitar uma reprodução direta.
O capítulo final de Vale Tudo atualizou um dos momentos mais icônicos da teledramaturgia brasileira e, ao mesmo tempo, provocou: a vilã sobreviveu, o assassinato foi cometido e escondido, a farsa se tornou parte do enredo, e o público saiu dividido entre celebração do retorno de Odete e decepção com explicações insuficientes. Seja qual for o lado, o fato é que a frase “Odete Roitman sempre volta” permanece, abrindo espaço para reflexões — sobre moral, crime, poder e impunidade.