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O maior lago do planeta está encolhendo rapidamente, alertam especialistas

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O Mar Cáspio, que banha cinco países e é vital para o clima e a economia da região, enfrenta redução alarmante de volume e área por conta das mudanças climáticas e da intervenção humana.

O Mar Cáspio, reconhecido como o maior corpo de água interior do planeta — frequentemente chamado de “lago” devido à sua característica fechada — está sofrendo um processo acelerado de encolhimento. Segundo especialistas e estudos recentes de climatologistas, geólogos e ambientalistas, a principal causa desse fenômeno é o avanço das mudanças climáticas globais, somado à intensa ação humana nas regiões próximas.

Localizado entre a Europa Oriental e a Ásia Ocidental, o Mar Cáspio banha cinco países: Rússia, Cazaquistão, Turcomenistão, Irã e Azerbaijão. Diferente dos mares abertos, ele não possui ligação direta com oceanos, o que o torna extremamente vulnerável a alterações no clima e ao uso inadequado de seus recursos hídricos. De acordo com o cientista climático alemão Stefan Rahmstorf, do Instituto de Pesquisa do Impacto Climático de Potsdam, as projeções mais conservadoras indicam que o nível da água pode cair até 18 metros até o final do século.

A elevação da temperatura média global tem levado ao aumento da evaporação da água do lago. Além disso, o desvio de rios que anteriormente alimentavam o Mar Cáspio, como o rio Volga — seu principal afluente —, contribui diretamente para a perda de volume. Grandes projetos de irrigação, especialmente no Cazaquistão e Turcomenistão, têm redirecionado enormes volumes de água para a agricultura, agravando ainda mais o cenário.

O impacto dessa retração é vasto. Economicamente, milhares de pessoas dependem da pesca e da exploração de petróleo e gás que ocorrem no fundo do Mar Cáspio. Ambientalmente, a fauna e flora endêmicas da região estão em risco, incluindo espécies ameaçadas como a foca-do-cáspio (única foca de água doce do mundo) e o esturjão, essencial para a produção de caviar.

O encolhimento do Mar Cáspio não é um evento isolado. Ele reflete um padrão global de transformação de ecossistemas aquáticos devido ao aquecimento do planeta. Especialistas alertam que, sem ações coordenadas e urgentes entre os países da região e a comunidade internacional, o lago poderá perder até um terço de sua área em menos de 75 anos.

Estudos recentes da Universidade de Utrecht, na Holanda, e do Instituto de Geografia da Rússia corroboram esses dados alarmantes, e vêm pressionando por políticas de gestão de recursos hídricos mais sustentáveis. Ações como a redução da emissão de gases estufa, a restauração de bacias hidrográficas e a limitação de projetos predatórios são algumas das soluções apontadas.

Além do impacto direto sobre a biodiversidade e a economia local, a perda do Mar Cáspio pode desencadear efeitos em cascata no clima de toda a região. A evaporação contínua, por exemplo, pode afetar o regime de chuvas e provocar desertificação em áreas adjacentes.

A situação exige atenção global. Embora o Mar Cáspio esteja geograficamente restrito, ele é um símbolo do desequilíbrio ambiental que pode afetar qualquer região do planeta — uma lembrança clara de que a crise climática é real, urgente e sem fronteiras.