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O que se sabe sobre passaporte de Eliza Samudio encontrado 15 anos após o crime em Portugal

Foto: divulgação
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Descoberta em hotel de Lisboa levanta novas questões sobre os últimos meses de vida da modelo e traz angústia para a família no Brasil

Um caso que chocou o Brasil e parecia ter todas as suas peças encaixadas voltou a ganhar capítulos de mistério nesta semana. O passaporte de Eliza Samudio, desaparecida e assassinada em 2010 em um crime que envolveu o ex-goleiro Bruno, foi encontrado em um hotel na cidade de Lisboa, em Portugal. A descoberta ocorreu durante uma reforma no estabelecimento, onde o documento estava escondido atrás de um painel, junto a outros pertences que teriam sido esquecidos ou deixados para trás há mais de uma década.

A notícia caiu como uma bomba para Dona Sônia Moura, mãe de Eliza, que vive em Mato Grosso do Sul e cuida do neto, Bruninho. Para a família, a localização do documento não muda a certeza do desfecho trágico, mas reabre feridas e traz à tona detalhes sobre uma viagem que Eliza fez à Europa pouco antes de retornar ao Brasil para cobrar o reconhecimento da paternidade de seu filho.

A viagem e o retorno sem o documento

De acordo com as investigações da época e informações que circulam agora com mais clareza, Eliza Samudio esteve em Portugal entre o final de 2009 e o início de 2010. O que intriga as autoridades é como ela conseguiu retornar ao Brasil sem o passaporte original, que agora sabemos que ficou em Lisboa.

Registros indicam que, na ocasião, Eliza teria relatado o extravio ou furto do documento e conseguido uma autorização de retorno ao Brasil emitida pelo consulado. Ao chegar em solo brasileiro, ela iniciou a disputa judicial com o goleiro Bruno, que culminou no seu sequestro e morte no sítio do jogador em Minas Gerais. A descoberta do passaporte em Portugal reforça a cronologia de que ela realmente tentou construir uma vida fora do país antes de se ver presa na trama de violência que tirou sua vida.

O que diz a família e a polícia

Dona Sônia Moura manifestou profunda tristeza com a descoberta. Em entrevistas recentes, ela afirmou que o documento é mais uma lembrança dolorosa de uma vida que foi interrompida de forma brutal. Para ela, o foco principal continua sendo a localização dos restos mortais da filha, algo que nunca aconteceu, apesar das condenações de Bruno e seus cúmplices.

A polícia portuguesa já notificou as autoridades brasileiras e o Itamaraty sobre o achado. Existe a possibilidade de que o documento seja enviado ao Brasil para perícia, embora, juridicamente, ele não deva alterar as condenações já proferidas pela Justiça mineira. No entanto, para historiadores do crime e para a defesa da família, o passaporte é um elo físico importante que preenche lacunas sobre os últimos passos de Eliza antes de cair na emboscada que chocou o país.

O caso de Eliza Samudio permanece como um dos maiores símbolos da luta contra o feminicídio no Brasil, e qualquer nova evidência, mesmo 15 anos depois, serve para lembrar que o clamor por justiça e por respostas completas ainda não se calou.