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O tabuleiro do “Conselho da Paz”: Quem disse sim e quem disse não à proposta de Donald Trump

Imagem: AFP/Getty Images
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A diplomacia global está em polvorosa com a mais nova iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump: a criação de um “Conselho da Paz”. O objetivo declarado da Casa Branca é formar um grupo seleto de líderes mundiais para mediar conflitos históricos, com foco especial na guerra entre Rússia e Ucrânia e nas tensões no Oriente Médio. No entanto, o convite não foi recebido com a mesma empolgação por todos, desenhando um novo mapa de alianças e distanciamentos no cenário internacional.

O convite foi enviado a diversos chefes de Estado, e as respostas começaram a chegar nesta semana, revelando uma divisão clara entre os países que buscam uma proximidade maior com a nova gestão americana e aqueles que encaram a proposta com ceticismo ou preferem manter os canais tradicionais da ONU e da União Europeia.

Quem aceitou o desafio? Entre os primeiros a dizer “sim” estão líderes que já possuem afinidade ideológica ou interesses estratégicos com Trump. O presidente da Argentina, Javier Milei, foi um dos entusiastas imediatos, reforçando sua posição de principal aliado dos EUA na América Latina. Além dele, nomes como Viktor Orbán, da Hungria, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, confirmaram presença, o que já era esperado dado o histórico de alinhamento. Recentemente, líderes da Coreia do Sul e da Itália também sinalizaram positivamente, buscando garantir uma cadeira à mesa onde as grandes decisões podem ser tomadas.

As recusas e o peso da Espanha Por outro lado, o bloco de resistência é liderado por nações que pregam a multilateralidade. A Espanha foi um dos casos mais notáveis desta sexta-feira (23). O governo de Pedro Sánchez recusou formalmente o convite, alegando que prefere trabalhar dentro das estruturas já estabelecidas, como as Nações Unidas. O entendimento de Madri é que um conselho paralelo poderia esvaziar a autoridade de órgãos internacionais.

Outros países, como a França e a Alemanha, mantêm uma postura de cautela extrema. Embora não tenham dado um “não” definitivo em alguns fóruns, as declarações de seus diplomatas sugerem que não há interesse em participar de um grupo que pareça ser controlado unilateralmente por Washington.

O que está em jogo? Para os analistas, o “Conselho da Paz” é uma faca de dois gumes. Se por um lado pode acelerar acordos de cessar-fogo por meio da pressão direta das potências envolvidas, por outro, corre o risco de ser visto apenas como uma ferramenta de influência pessoal de Trump. A ausência de grandes potências europeias pode tirar a legitimidade do grupo, enquanto a adesão de países emergentes pode dar ao conselho o fôlego necessário para se tornar um novo polo de poder global.