Símbolo máximo da alegria baiana ganha proteção por lei, celebrando o legado deixado por Dodô e Osmar desde a década de 50
O coração do folião baiano bateu mais forte nesta quinta-feira (5). Em uma decisão que celebra a alma de Salvador, o prefeito Bruno Reis sancionou a Lei nº 9.948/2026, que eleva o trio elétrico ao posto de Patrimônio Imaterial, Cultural e Histórico da cidade. A novidade foi publicada oficialmente no Diário Oficial do Município e marca um momento histórico para a cultura popular brasileira.
Com essa nova lei, o trio elétrico deixa de ser apenas um veículo de festa para se tornar um bem protegido. Isso significa que a prefeitura, por meio de seus órgãos de preservação, agora tem o dever de criar medidas para formalizar e garantir que esse símbolo nunca se perca, protegendo a tradição que arrasta multidões pelas ruas da capital todos os anos.
Como tudo começou: do carro velho ao palco gigante Para entender a importância desse título, a gente precisa voltar no tempo, lá para o Carnaval de 1950. Foi naquela época que dois músicos geniais, Adolfo Antônio Nascimento e Osmar Álvares Macedo — os eternos Dodô e Osmar —, tiveram uma ideia que mudaria o mundo.
Inspirados pelas apresentações do músico Waldo de los Ríos e encantados com a novidade das guitarras elétricas, eles decidiram que a música não deveria ficar parada. A dupla pegou um automóvel antigo (a famosa “fobica”), instalou amplificadores e guitarras e saiu tocando pelas ruas de Salvador. Era o nascimento do primeiro palco móvel da história.
O que era apenas um experimento virou uma febre instantânea. Os foliões amaram a ideia de seguir a música, e o “atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu” virou regra. Com o passar das décadas, o que começou pequeno se transformou: os carrinhos deram lugar a caminhões gigantescos, o som ganhou tecnologia de ponta e os maiores artistas do país passaram a comandar essa massa. Hoje, o reconhecimento como patrimônio é, acima de tudo, um agradecimento a essa invenção que é a cara da Bahia.