Novo relatório aponta que o Brasil ocupa a 7ª posição no ranking global, com 17 milhões de jovens vivendo com a condição; especialistas alertam para riscos de doenças crônicas precoces.
O cenário da saúde infantil global mudou de forma drástica e preocupante. De acordo com os dados mais recentes do Atlas Mundial da Obesidade 2026, divulgados nesta quarta-feira (4) em celebração ao Dia Mundial da Obesidade, o excesso de peso deixou de ser um problema secundário para se tornar uma emergência global, ultrapassando, pela primeira vez, os índices de desnutrição. Hoje, uma em cada dez crianças no planeta já convive com a obesidade.
Os números impressionam e servem como um alerta urgente para pais, educadores e governantes. Segundo a Federação Mundial de Obesidade, o mundo fechou o ano de 2025 com cerca de 180 milhões de crianças nesta condição. Se nada for feito e a tendência atual se mantiver, a previsão é que esse número salte para 227 milhões até o ano de 2040.
O Brasil no mapa da obesidade Infelizmente, o Brasil aparece com destaque negativo nesse levantamento. O país ocupa a sétima posição mundial no ranking de 2025, contabilizando 17 milhões de crianças e adolescentes com obesidade. Esse dado coloca o país em uma posição de vulnerabilidade, exigindo políticas públicas mais severas para conter o avanço da doença entre os jovens brasileiros.
O relatório vai além dos números e foca nas consequências para o futuro. A estimativa é que mais de meio bilhão de jovens (entre 5 e 19 anos) estarão acima do peso nas próximas décadas. Isso significa que, pelo menos, 120 milhões de estudantes atuais podem começar a apresentar sinais precoces de doenças que antes eram comuns apenas em adultos, como diabetes tipo 2, hipertensão e sérios problemas cardiovasculares.
O que precisa ser feito? Para Johanna Ralston, diretora-executiva da Federação, o mundo está diante de uma “falha coletiva”. Ela defende que não é aceitável permitir que uma geração inteira seja condenada a conviver com enfermidades crônicas que podem ser evitadas.
Para virar esse jogo, a Federação sugere medidas práticas e imediatas, como a criação de taxas para bebidas açucaradas, regras mais rígidas para impedir que propagandas de alimentos ultraprocessados cheguem às crianças e o incentivo direto a uma rotina com mais atividades físicas e menos tempo de tela.