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Ofício das Baianas de Acarajé: Rumo ao Patrimônio Cultural Imaterial de Salvador

Foto: Reprodução
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A Associação das Baianas de Acarajé (Abam) recebe notificação para iniciar o processo de reconhecimento oficial do ofício como patrimônio imaterial da cidade — um marco para preservar a tradição, a identidade e a cultura afro-brasileira em Salvador.

Nesta quarta-feira, 27 de agosto de 2025, a Associação Nacional das Baianas de Acarajé (Abam) será oficialmente notificada pela Fundação Gregório de Mattos (FGM) sobre o começo do processo para o Registro Especial do Ofício das Baianas de Acarajé como Patrimônio Cultural Imaterial de Salvador. A cerimônia fará parte da VI Jornada do Patrimônio Cultural, que prossegue até sexta-feira, dia 29, em diversos espaços do Centro Histórico.

Este gesto marca o início formal de um processo previsto pela Lei 8.550/2014, evidenciando o compromisso da Prefeitura de Salvador em valorizar e preservar essa expressão viva da cultura afrodiaspórica e soteropolitana.

Para Rita Santos, presidente da Abam, esse reconhecimento tem um valor emocional profundo: “Salvador tem a cara das baianas e as baianas têm a cara de Salvador.” Ela reforça que a iniciativa é um tributo às baianas de ontem, de hoje, e às futuras gerações.

Vagner Rocha, diretor de Patrimônio da FGM, ressalta que embora já existissem ações de salvaguarda em andamento, esse momento representa um marco histórico. Com a patrimonialização em curso, a cidade reafirma seu compromisso com a valorização das primeiras afroempreendedoras do Brasil.

A VI Jornada do Patrimônio Cultural de Salvador aborda o tema “Centro Histórico de Salvador – Quatro décadas como Patrimônio Mundial” e reúne uma programação intensa: palestras, mesas temáticas, oficinas, vivências culturais, além de uma oficina de acarajé e degustação ainda no dia 27. Nos dias seguintes, as atividades continuam na Casa Vale do Dendê e no Muncab (Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira), com debates sobre resistência sociocultural, patrimônio material e o futuro do Centro Histórico. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site Even3.

Contexto histórico e cultural

O Ofício das Baianas de Acarajé já é reconhecido como Patrimônio Imaterial do Brasil desde 2005, estando registrado no Livro dos Saberes do IPHAN tradição vai muito além da comida — é cultural, religiosa e simbólica. Envolve a produção ritualizada do acarajé, o tabuleiro, as vestimentas típicas (como turbante, saia rodada e fios-de-contas), e sua ligação com o culto aos orixás, especialmente Xangô e Oyá .

A iguaria tem origem africana (Golfo de Benim) e passou a ser produzida com feijão-fradinho moído no pilão de pedra — origem do nome acarajé (“pedra de acarajé”). O tabuleiro da baiana também traz outras delícias da culinária afro-brasileira como vatapá, caruru, abará, cocadas e mingaus.

Em Salvador, a profissão das baianas de acarajé é regulamentada e considerada símbolo de autonomia feminina, economia criativa e turismo cultural. Em 2024, estimava-se que cerca de 3,5 mil mulheres atuavam nessa atividade, muitas chefes de família, fortalecendo a identidade local e promovendo respeito à cultura afro-brasileira.

O processo de patrimonialização inclui inventários, planos de salvaguarda e reconhecimento institucional, envolvendo ABAM, IPHAN, terreiros de candomblé e centros de pesquisa como o CEAO/UFBA.

Em torno dessa cultura, personalidades como Dinha do Acarajé representam a vivacidade da tradição. Nascida em 1951, ela se tornou uma das baianas mais icônicas de Salvador, com figurino marcante e ponto famoso no Largo de Santana. Defensora do ofício, contribuiu para o tombamento do acarajé como patrimônio cultural