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OMS, EMA reforçam que não há ligação comprovada entre uso de paracetamol durante a gravidez e autismo: segurança confirmada, mitos desmontados

Foto: Freestocks/Unsplash/Divulgação
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OMS, EMA e especialistas reforçam que não há ligação comprovada entre uso de paracetamol durante a gravidez e autismo, e alertam para riscos de não tratar dor ou febre

Nos últimos dias, — 22 e 23 de setembro de 2025 — um pronunciamento do ex-presidente dos EUA Donald Trump afirmou que o uso de Tylenol (paracetamol) por gestantes poderia estar vinculado ao desenvolvimento de autismo em crianças, sem apresentar evidências científicas claras. Essa associação, amplamente replicada na mídia, foi prontamente contestada por agências de saúde globais e especialistas médicos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que as evidências sobre essa ligação são inconsistentes, ou seja, estudos observacionais sugerem uma possível conexão, mas não se repetem nem demonstram causalidade. A OMS reforçou ainda que vacinas não causam autismo e salvam vidas.

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e a reguladora do Reino Unido (MHRA) também afirmaram que não há novos dados que justifiquem mudança nas diretrizes atuais para o uso do paracetamol na gravidez. O medicamento é considerado seguro quando usado na menor dose eficaz e por tempo limitado.

No Brasil, a Anvisa publicou uma nota oficial confirmando que não há registros de casos adversos que associem o uso de paracetamol durante a gestação com autismo ou malformações ⟹ trata-se de medicamento de baixo risco, amplamente utilizado e acompanhado há anos no país.

Pesquisas científicas de grande porte dão suporte a essas conclusões. Um estudo sueco, que acompanhou cerca de 2,4 milhões de crianças nascidas entre 1995 e 2019, não encontrou associação significativa entre exposição ao paracetamol na gestação e diagnóstico de TEA (Transtorno do Espectro Autista) — mesmo após comparações entre irmãos — reforçando que a correlação observada em alguns estudos pode refletir fatores subjacentes como condições maternas e genéticas e não a medicação em si.

Especialistas de organizações como a Academia Americana de Pediatria, o Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia e a Sociedade de Medicina Materno-Fetal reiteram que o paracetamol continua sendo a principal opção segura para tratar dor moderada ou febre na gravidez. Eles enfatizam que deixar essas condições sem tratamento pode trazer mais riscos ao feto do que o próprio medicamento.

Mesmo estudos que indicam associação entre o uso prolongado e autismo concordam que não há prova de causalidade. A recomendação é de uso judicioso — com prescrição médica, dose mínima eficaz e pelo menor tempo necessário — já que febre alta ou dor intensa sem tratamento podem afetar o desenvolvimento fetal.

Em resumo: apesar de algumas abordagens alarmistas e sem base científica, a comunidade médica internacional converge ao afirmar que o paracetamol é seguro durante a gravidez, desde que usado sob orientação de profissionais de saúde. As gestantes devem sempre buscar ajuda médica para avaliar cada caso individualmente e tomar decisões informadas.