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ONS cogita retorno do horário de verão para conter risco de apagões

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Operador do sistema elétrico alerta sobre déficit de potência entre 18h e 21h e recomenda adotar medida emergencial ainda em 2025

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acendeu o sinal de alerta ao apresentar seu Plano de Operação Energética para 2025–2029, divulgado em 8 de julho. O documento aponta um déficit estrutural de potência durante os horários de pico — especialmente entre 18h e 21h —, período em que a geração solar cessa e a demanda cresce com iluminação, ar-condicionado e chuveiros elétricos.

Para aliviar essa pressão, o ONS sugere o retorno do horário de verão, suspenso em 2019, como medida emergencial a ser avaliada até agosto de 2025 — para que a adoção possa ocorrer, se necessário, entre outubro e novembro deste ano.

O que está em jogo

  • A adoção do horário de verão pode reduzir o consumo em até 2 GW, deslocando parte da carga elétrica para o fim da tarde, quando a luz natural ainda está presente.
  • A previsão considera aumento de 36 GW na capacidade instalada até 2029, com renováveis (solar, eólica, microgeração) representando cerca de 33% da matriz — apesar do crescimento, as fontes intermitentes não garantem a energia necessária à noite.

Para evitar sobrecarga, o ONS também recomenda:

  • Realização de leilões anuais de reserva de capacidade, priorizando usinas térmicas flexíveis (gás ou biomassa).
  • Antecipação do despacho de térmicas já contratadas e importação de energia de países vizinhos, se preciso.
  • Preparação para cenários críticos entre outubro e novembro, caso as chuvas atrasem, com o uso intensivo de térmicas.

Desde 2019, quando o horário de verão foi encerrado pelo governo Bolsonaro sob argumentação de ganhos limitados frente ao uso intensivo de ar-condicionado no meio da tarde, a adoção voltou a ser questionada. A retomada da medida exigirá comunicação clara – os relógios precisam ser adiantados uma hora com pelo menos três meses de antecedência.

Especialistas destacam que o ajuste reduz a sobrecarga no sistema e evita entrada precoce das luzes artificiais, mas enfrenta resistência devido às mudanças nos hábitos sociais e possíveis impactos à saúde .