A EMS lança Olire e Lirux, canetas injetáveis à base de liraglutida para obesidade e diabetes tipo 2, com distribuição gradual e alerta sobre os riscos do uso sem supervisão médica.
A partir desta segunda-feira, 4 de agosto de 2025, chegam ao mercado farmacêutico brasileiro os novos medicamentos Olire (para obesidade) e Lirux (para diabetes tipo 2), fabricados integralmente pela EMS. Apresentados como versões nacionais dos populares Ozempic e Wegovy, esses produtos são baseados em liraglutida, um análogo do hormônio GLP‑1, cuja patente da Novo Nordisk expirou no Brasil neste ano.
A tecnologia utilizada na produção busca alta pureza e rendimento na síntese de peptídeos, segundo o diretor médico da EMS, Iran Gonçalves Jr., e segue padrões globalmente reconhecidos da FDA. Ao imitar o GLP‑1, a liraglutida reduz o apetite, aumenta a produção de insulina e estabiliza os níveis de glicose no sangue.
Indicações e eficácia:
- Olire, voltado ao tratamento da obesidade e sobrepeso, é indicado para pessoas com IMC ≥ 27 associadas a condições como diabetes tipo 2, hipertensão, dislipidemia ou risco cardiovascular. Estudos apontam redução de peso média de 8% a 10% em 6‑12 meses.
- Lirux destina-se ao controle do diabetes tipo 2 em adultos e crianças acima de 10 anos que não alcançam controle glicêmico apenas com dieta e atividade física.
Dosagem e aplicação:
Diferentemente das canetas semanais à base de semaglutida (como Ozempic e Wegovy) ou tirzepatida (Mounjaro), os lançamentos nacionais requerem aplicação diária. A dose máxima do Lirux é de 1,8 mg/dia, enquanto o Olire permite até 3,0 mg/dia, com embalagens que variam de uma a dez canetas conforme o medicamento.
Comparativo de potências:
- A tirzepatida (Mounjaro), que atua nos receptores GLP‑1 e GIP, é considerada a mais potente para perda de peso, seguida pela semaglutida (Wegovy/Ozempic), que traz redução média de 13% a 17% do peso corporal. Já a liraglutida (Olire/Lirux) apresenta menor potência, mas continua relevante para muitos pacientes.
Preço e distribuição:
Os valores sugeridos para o público são competitivos: a partir de R$ 760,61 (Olire com 3 canetas) e R$ 307,26 (Lirux com 1 caneta). Inicialmente serão distribuídas cerca de 150 mil unidades nas farmácias das grandes redes (Raia, Drogasil, São Paulo, Pacheco), com previsão de alcançar 250 mil unidades até o final de 2025 e 500 mil até agosto de 2026.
Riscos e recomendações médicas
A endocrinologista Deborah Beranger alerta que o uso desses medicamentos sem acompanhamento clínico pode trazer consequências graves: náuseas, vômitos, diarreia, constipação e até obstrução intestinal ou laceração esofágica em casos severos. O uso intermitente e sem controle propicia o temido efeito sanfona, com perdas seguidas de ganhos de peso – o que, clinicamente, é pior do que não perder peso.
Ela reforça que a obesidade deve ser tratada como uma condição crônica, semelhante à hipertensão, e exige tratamento contínuo e acompanhamento médico persistente. O endocrinologista Roberto Kalil, da CNN, também expressou preocupação com o uso estético e desenfreado dessas canetas sem prescrição médica adequada e destacou a falta de políticas públicas para garantir acesso ao tratamento no SUS.
Especialistas enfatizam que esses medicamentos não devem ser usados sem indicação clara, e são contraindicados para gestantes, lactantes e pessoas com histórico de distúrbios gastrointestinais importantes. Eles também destacam a necessidade de associar medicação a dieta balanceada, atividade física e acompanhamento psicológico ou nutricional, se necessário.
Os lançamentos Olire e Lirux marcam o início da produção nacional de canetas à base de liraglutida, oferecendo uma alternativa mais acessível aos medicamentos importados. Com preços mais baixos e boa eficácia, poderão beneficiar muitos pacientes – desde que usados com responsabilidade. Mas o alerta é claro: só devem ser utilizados sob prescrição médica rigorosa, como parte de um tratamento contínuo e multidisciplinar.