Programa “Agora Tem Especialistas” abre credenciamento e busca reduzir tempo de espera para consultas, exames e cirurgias em seis áreas prioritárias
O Ministério da Saúde lançou, em 2 de julho de 2025, um edital através do programa Agora Tem Especialistas para o credenciamento de hospitais, clínicas e empresas de saúde privadas — inclusive filantrópicas — com o objetivo de ampliar o atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) já a partir de agosto. A iniciativa visa reduzir os longos tempos de espera por serviços especializados, que atualmente chegam a 57 dias para consultas, exames e cirurgias.
Pela nova regra, entidades privadas com dívidas junto ao governo podem convertê-las em prestação de serviços ao SUS. O abatimento será proporcional ao valor da dívida:
- Dívidas superiores a R$ 10 milhões → até 30% convertidos em atendimentos
- Entre R$ 5 e 10 milhões → até 40%
- Abaixo de R$ 5 milhões → até 50%
Esses estabelecimentos devem se credenciar junto ao Ministério da Saúde após aval dos Ministérios da Fazenda e Saúde. Por intermédio do credenciamento, passam a oferecer serviços complementares em áreas prioritárias: oncologia, ginecologia, cardiologia, ortopedia, oftalmologia e otorrinolaringologia. O atendimento será gratuito para os usuários do SUS.
O programa prevê investimentos federais de aproximadamente R$ 5,5 bilhões anuais, distribuídos em três linhas:
- Contratação direta de serviços privados – R$ 2 bilhões/ano para Estados e municípios
- Uso da capacidade ociosa de hospitais públicos (equipamentos, equipes) – R$ 2,5 bilhões/ano
- Serviços móveis com carretas de saúde para áreas remotas (indígenas e quilombos) – R$ 1 bilhão/ano com previsão de 150 unidades móveis.
Antes do início dos atendimentos privados, um mutirão será realizado em 5 de julho em 45 hospitais universitários federais, vinculados à Ebserh. A expectativa é realizar cerca de 8 000 procedimentos num único dia, incluindo 1 000 cirurgias, 1 200 consultas e 5 500 exames.
Para garantir eficiência, o Ministério da Saúde implementará um painel nacional que monitora tempo de espera e fluxo de pacientes, alimentados por dados de todas as instituições parceiras, públicas e privadas. A AgSUS e o Grupo Hospitalar Conceição atuarão na articulação entre credienciar e gestores locais