Cantora, empresária e apresentadora, filha de Gilberto Gil, lutou incansavelmente desde 2023 contra um câncer intestinal, enfrentando recidiva, metástases e tratamentos controversos nos EUA, e faleceu neste domingo (20/07/2025).
Preta Maria Gadelha Gil Moreira, conhecida como Preta Gil, faleceu em 20 de julho de 2025, aos 50 anos, em sua residência nos Estados Unidos, onde realizava tratamento contra o câncer. Segundo informações apuradas pela equipe da artista e confirmadas pelas colunas Splash (UOL) e Fábia Oliveira (Metrópoles), ela apresentou uma piora em seu quadro de saúde após sessão de quimioterapia na última quarta-feira, 16 de julho.
Preta havia sido diagnosticada com adenocarcinoma intestinal em janeiro de 2023. Desde então, enfrentou uma trajetória desafiadora que incluiu internações, sepse, cirurgias múltiplas (como histerectomia total e reconstrução intestinal) e até uma colostomia definitiva. Em dezembro daquele ano, comemorou a remissão, porém, em agosto de 2024, foi informada de que a doença havia retornado com metástase.
Buscando opções além do Brasil, Preta mudou-se para os Estados Unidos em novembro de 2024. Lá, submeteu-se a um ambicioso protocolo de tratamento experimental que incluiu uma cirurgia de mais de 21 horas, remoção de tumores em quatro locais e o uso de colostomia definitiva no início de 2025. Nas últimas semanas, vinha enfrentando um agravamento do quadro, com disseminação da doença detectada em uma sessão de quimioterapia em 16/07.
Vida, legado e ativismo
Nascida em 8 de agosto de 1974, no Rio de Janeiro, Preta era filha do icônico Gilberto Gil e de Sandra Gadelha, e sobrinha de Caetano Veloso. Sua origem remonta a um confronto simbólico com o preconceito: o registrador se recusou a aceitar seu nome — “Preta” — mas acabou cedendo após veto ao nome católico, incluindo “Maria” como segundo nome.
Com uma carreira marcada por autenticidade e irreverência, Preta se destacou na música, no carnaval carioca — com o lendário “Bloco da Preta” —, na televisão e nas mídias digitais. Além disso, foi empresária à frente da Music2Mynd e sempre foi voz potente contra o racismo, gordofobia, homofobia e na valorização da pluralidade feminina.
Foi avó duas vezes — seu filho Francisco “Fran” Gil, integrante do grupo Gilsons, é pai de uma menina — e era muito querida por amigos e artistas. Amigos próximos viajaram aos EUA para prestarem últimos cuidados. O falecimento marca o fim de uma trajetória de coragem, amor e empoderamento.
Preta Gil deixa um legado poderoso: música autêntica, ativismo social e inspiração para milhares que viram nela a força de se manter firme — de corpo, alma e voz. Sua história é um chamado à prevenção, ao debate contra o preconceito e uma celebração da pluralidade humana.