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Pavel Durov, CEO do Telegram, é preso na França em investigação sobre crimes cibernéticos

Foto: Reprodução/ Instagram
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Autoridades apuram envolvimento em pornografia infantil, tráfico de drogas e transações fraudulentas na plataforma

Pavel Durov, fundador e CEO do aplicativo de mensagens Telegram, foi detido na França em uma investigação sobre crimes cibernéticos. A prisão ocorreu no aeroporto de Le Bourget, nos arredores de Paris, na noite de sábado, 24 de agosto. A detenção de Durov faz parte de uma apuração sobre vários crimes relacionados à plataforma, incluindo pornografia infantil, tráfico de drogas e transações fraudulentas.

A promotora de Paris, Laure Beccuau, informou que a prisão de Durov está vinculada a uma investigação iniciada pela unidade de crimes cibernéticos do escritório em 8 de julho. A apuração foca na suspeita de cumplicidade de Durov em crimes como a facilitação de uma plataforma online para transações ilícitas, além de pornografia infantil, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e fornecimento de serviços criptográficos a criminosos.

O presidente francês, Emmanuel Macron, esclareceu que a prisão de Durov não tem motivação política, apesar das especulações na internet. Macron ressaltou que a França está firmemente comprometida com a liberdade de expressão legal e que a decisão de prender Durov foi tomada no âmbito judicial. “A prisão do presidente do Telegram em território francês ocorreu como parte de uma investigação judicial em andamento”, escreveu Macron no X. “Esta não é de forma alguma uma decisão política. Cabe aos juízes decidir”, acrescentou.

O Telegram, que conta com aproximadamente 1 bilhão de usuários e é particularmente influente na Rússia, Ucrânia e nas repúblicas da antiga União Soviética, ainda não forneceu detalhes adicionais sobre a prisão. A empresa, com sede em Dubai, afirmou que está cumprindo as leis da União Europeia e que sua moderação está “dentro dos padrões da indústria e em constante melhoria”. Em um comunicado, o Telegram defendeu Durov, dizendo que ele “não tem nada a esconder” e que a alegação de responsabilidade pela má utilização da plataforma é absurda.

O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos (EAU) solicitou à França a prestação de todos os serviços consulares necessários para Durov de forma urgente. O Kremlin, por sua vez, afirmou que ainda não recebeu detalhes sobre as acusações formais contra Durov e que seria prematuro fazer qualquer declaração sem conhecer as especificações dos crimes imputados.

As tensões entre França e Rússia têm se intensificado, especialmente após as acusações de que a Rússia estaria tentando desestabilizar a França antes das Olimpíadas de Paris, em resposta à postura mais agressiva da França na guerra da Ucrânia. A embaixada russa em Paris declarou no X que as autoridades francesas se recusaram a cooperar com pedidos de acesso consular, embora a embaixada esteja em contato com o advogado de Durov.