Arquivo com cerca de 110 faixas caseiras gera impasse sobre lançamentos póstumos e direitos — parte do material é reivindicada como herança afetiva do filho.
O acervo da saudosa Marília Mendonça voltou ao centro de uma disputa nesta terça-feira, 19 de agosto de 2025. Um pen drive com cerca de 100 a 110 gravações caseiras — rascunhos, interpretações com voz e violão, composições próprias e de outros artistas — agora está envolvido em um imbróglio entre a família da cantora, sua gravadora e o empresário que cuidava da carreira dela.
O empresário Wander Oliveira revelou em entrevista ao G1 que a artista deixou material suficiente para alimentar lançamentos por até 20 anos, trabalhando com a ideia de lançar cerca de 10 músicas por ano. Ele reforçou que esse pen drive “pertence ao Léo” — o filho de Marília — e que sua parte nos direitos foi pensada como legado afetivo, a ser entregue ao menino quando ele tiver capacidade de decidir o que fazer com ele.
No entanto, nem todos concordam com essa divisão. O pen drive passou a ser discutido por grupos que administram o legado da artista: a família (representada pela mãe Ruth Dias e pelo pai de Léo, Murilo Huff), a gravadora Som Livre (com direitos de exploração conforme contrato de 2019) e a empresa de Wander Oliveira, Workshow. Essas partes ainda não chegaram a um consenso sobre como e quando lançar o material.
Segundo o advogado da família, Robson Cunha, as negociações estão suspensas porque Murilo Huff precisa assinar contratos envolvendo Léo, algo que ainda não ocorreu. Quando essa etapa for concluída, espera-se que os lançamentos possam avançar.
A gravadora Som Livre, por sua vez, reforça que detém os direitos comerciais sobre todo o repertório produzido em vida pela cantora e garante que os projetos futuros serão conduzidos em conjunto com a família, sempre com respeito ao legado de Marília.
Além disso, o pen drive levou ao questionamento sobre decisões anteriores — como o dueto digital póstumo com Cristiano Araújo não aprovado por Wander Oliveira — evidenciando as diferenças entre as partes quanto à preservação artística e à memória da cantora.
Em resumo, o material inédito permanece sem data de lançamento oficial, enquanto fãs, familiares e primeiros responsáveis pelo legado buscam um desfecho equilibrado que honre a história e a memória de Marília Mendonça.