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Pesquisador da Fiocruz Entra na Lista dos 10 Cientistas Mais Importantes do Mundo em 2025

Foto: Peter Ilicciev/WMP Brasil/Fiocruz
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Luciano Moreira, entomologista baiano, foi escolhido pela prestigiada revista Nature por seu trabalho revolucionário no combate à dengue, zika e chikungunya utilizando mosquitos “do bem”, portadores da bactéria Wolbachia.

O Brasil tem mais um motivo para estufar o peito no cenário científico internacional! O pesquisador brasileiro Luciano Moreira, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), foi eleito pela renomada revista britânica Nature como um dos dez cientistas mais importantes e influentes do mundo em 2025. A lista, conhecida como “Nature’s 10”, não é um ranking de melhores, mas sim uma seleção cuidadosa das dez pessoas cujas descobertas e ações tiveram o maior impacto na ciência e na sociedade durante o ano.

Luciano Moreira, um entomologista (especialista em insetos) e engenheiro agrônomo com 58 anos, foi reconhecido por liderar uma das iniciativas de saúde pública mais ambiciosas e bem-sucedidas do Brasil: o uso da bactéria Wolbachia para controlar a transmissão de arboviroses, como dengue, zika e chikungunya.

A Revolução dos Mosquitos “Amigos”

O projeto liderado por Moreira, que faz parte do World Mosquito Program (WMP), usa uma abordagem engenhosa de controle biológico. Funciona assim:

  1. A Bactéria: A Wolbachia é uma bactéria que existe naturalmente em mais de 60% dos insetos, mas não estava presente no Aedes aegypti, o mosquito transmissor das arboviroses.
  2. O Mecanismo de Bloqueio: A equipe de Moreira conseguiu introduzir a Wolbachia nos mosquitos Aedes aegypti em laboratório. Uma vez dentro do mosquito, a bactéria atua como um bloqueador, impedindo a replicação dos vírus da dengue, zika e chikungunya.
  3. A Substituição da População: Esses mosquitos com Wolbachia (carinhosamente chamados de “mosquitos do bem”) são soltos no meio ambiente. Quando eles se reproduzem com os mosquitos selvagens (sem Wolbachia), a bactéria é transmitida para a prole. Em poucas gerações, a população de mosquitos na área passa a ser composta em grande parte por mosquitos incapazes de transmitir as doenças.

Os resultados são impressionantes. Em áreas onde a tecnologia foi implementada, como em Niterói (RJ), Campo Grande (MS) e Belo Horizonte (MG), estudos (como o publicado na revista The Lancet) revelaram uma redução média de 63% nos casos de dengue, chegando a picos de até 89% em algumas localidades.

Do Laboratório para a Produção em Escala Industrial

O reconhecimento pela Nature vem no momento em que o trabalho de Moreira atinge um novo patamar. O pesquisador está à frente de uma biofábrica em Curitiba, inaugurada em 2025, que possui a capacidade de produzir cinco bilhões desses mosquitos com Wolbachia anualmente. Essa produção em escala industrial é fundamental para expandir a tecnologia e integrá-la oficialmente às políticas de saúde pública brasileiras.

Luciano Moreira não é o primeiro brasileiro a integrar a lista da Nature. Nomes como Celina Maria Turchi Martelli (em 2016, pelo trabalho com zika) e Ricardo Galvão (em 2019, pela defesa da ciência) já foram homenageados.

Ao falar sobre o prêmio, Moreira ressaltou o impacto social do trabalho de sua equipe. “É muito importante, no Brasil, a gente conseguir fazer pesquisas de ponta. E o que mais me dá satisfação é ver que estamos conseguindo reduzir o sofrimento e as mortes no país. Estamos mostrando como a ciência consegue ajudar tantas pessoas”, afirmou o cientista, cujo compromisso com a saúde pública começou quando, ainda na década de 90, ele se dedicou a pesquisar métodos alternativos de controle de doenças transmitidas por mosquitos.

A inclusão de Luciano Moreira na “Nature’s 10” é um marco que reforça o papel vital da pesquisa brasileira no enfrentamento de problemas globais de saúde, colocando o Brasil na vanguarda do combate às arboviroses.