Novos estudos sugerem que a imagem no tecido teria sido criada por uma escultura medieval e não pelo corpo de Jesus Cristo
Pesquisadores do mundo todo continuam debatendo a origem do Santo Sudário de Turim, o famoso lençol de linho que exibe a imagem de um homem crucificado e é considerado por muitos cristãos como aquele que envolveu o corpo de Jesus após a crucificação. Agora, um estudo recente comandado pelo artista digital brasileiro Cícero Moraes reacende essa discussão com uma nova hipótese: a imagem parece ter sido formada por contato com uma escultura em baixo-relevo, e não com um corpo humano real.
Utilizando softwares de modelagem 3D como Blender, MakeHuman e CloudCompare, Moraes comparou simulações do tecido sobre um corpo tridimensional humano e sobre um molde raso. Ele concluiu que apenas a escultura renderiza uma imagem coerente, sem distorções anatômicas — o que se harmoniza com o padrão observado no Sudário. No corpo tridimensional, a imagem ficaria deformada — um fenômeno conhecido como o “efeito Máscara de Agamenon”.
O estudo também destaca que a datação por carbono-14, realizada em 1988, situa o tecido entre os anos 1260 e 1390, sugerindo uma origem medieval — muito após a época de Jesus. Essa descoberta reforça a ideia de que o Sudário pode ser uma obra medieval, possivelmente uma criação artística com objetivo religioso ou comercial.
Além disso, um documento medieval recém-descoberto do filósofo normando Nicole Oresme, datado entre 1355 e 1382, já afirmava que a relíquia era uma fraude bem elaborada por clérigos para atrair doações — descrevendo-a como “falsa patente”. Essa é a mais antiga crítica registrada à autenticidade do Sudário, muito anterior àquela de 1389 do bispo Pierre d’Arcis.
Em resposta, o Centro Internacional de Estudos sobre o Sudário de Turim — órgão científico vinculado ao Vaticano — questionou os métodos de Moraes. Segundo eles, suas conclusões não acrescentam nada de novo ao debate, já que “a projeção ortogonal da imagem é conhecida desde os estudos do início do século XX”, e todas as hipóteses como pintura, escultura aquecida ou contato com baixo-relevo já foram refutadas por pesquisas físico-químicas anteriores à década de 1980.
Ainda há quem defenda o Sudário como relicário autêntico: estudos sobre manchas de sangue e halos de soro ao redor das feridas — analisados por pesquisadores como Kelly Kearse — apresentam evidências que seguem a tradição judaica de não lavar o corpo antes do sepultamento, reforçando a hipótese de que o Sudário corresponda à cultura funerária do século I d.C.. Por outro lado, críticos como Walter McCrone argumentaram que pigmentos teriam sido aplicados à superfície do tecido, apoiando a tese de falsificação artística.
Em resumo, algumas linhas de pesquisa apontam para a possibilidade de ser um exemplo extraordinário de arte medieval, enquanto outras reforçam sua relevância histórica e simbólica. A autenticidade segue no centro de uma disputa entre fé, ciência e história — sem resolução definitiva até o momento.