Interceptações da Polícia Federal mostram o dono do Banco Master comentando encontros com Lula, criticando Bolsonaro e se gabando de influência no Judiciário
A investigação que levou à segunda prisão do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ganhou novos e impressionantes capítulos. Mensagens trocadas entre ele e sua namorada, Martha Graeff, foram interceptadas pela Polícia Federal e revelam como funcionava o círculo de influência do banqueiro. O material mostra um homem que transitava com naturalidade entre as maiores autoridades do país, enquanto lidava com informações sigilosas e disputas ferozes no setor financeiro.
Espionagem e dados confidenciais Um dos pontos que mais chamam a atenção da PF é a facilidade com que Vorcaro recebia dados que deveriam ser secretos. Em 2024, ele foi avisado por um contato anônimo sobre inquéritos específicos e operações ligadas ao mercado de petróleo. Segundo os investigadores, o grupo de Vorcaro conseguia “furar a bolha” e acessar sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público e até de agências internacionais como o FBI e a Interpol. Para isso, usavam o apoio de um policial federal aposentado e senhas de terceiros.
O trânsito entre os Três Poderes Vorcaro não escondia o orgulho de estar no topo. Em abril de 2024, após discursar em um evento em Londres que reuniu pesos-pesados como Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, ele enviou mensagens rindo e se chamando de “muito louco” por estar ali, no centro do poder, falando para os ministros do STF e STJ.
A relação com o Executivo também aparece nos textos. Em dezembro de 2024, ele relatou à namorada que teve uma reunião “ótima” e “muito forte” com o presidente Lula. Segundo o empresário, o presidente chegou a chamar Gabriel Galípolo (que depois assumiria o Banco Central) para participar da conversa. Por outro lado, o clima com a oposição era de hostilidade: ao ver uma postagem de Jair Bolsonaro criticando operações ligadas ao Banco Master, Vorcaro foi direto e chamou o ex-presidente de “idiota”.
Guerra de gigantes e “extorsão” Os bastidores do mercado financeiro também pegaram fogo. Vorcaro mencionou que o setor bancário estava “furioso” após ele fechar uma parceria com o banco BRB, prevendo uma semana de ataques e retaliações. Ele também detalhou uma suposta tentativa de André Esteves, do BTG, de comprar o Master. Nas mensagens, o tom era de deboche, chamando o concorrente de “ardiloso” e “cínico”. Além disso, o empresário chegou a desabafar sobre estar sofrendo uma “extorsão bem chata” em Brasília, embora não tenha revelado nomes na ocasião.
Até nomes como João Doria aparecem nas conversas, mostrando preocupação cordial com o amigo, e há relatos de encontros com alguém identificado apenas como “alexandre moraes”, sem que a PF tenha confirmado ainda se trata-se de fato do ministro do Supremo. Todo esse conteúdo agora serve de base para a PF entender a extensão do esquema de monitoramento ilegal e ameaças que teriam sido orquestrados pelo banqueiro.