O volume de resíduos recolhidos na orla soteropolitana cresce drasticamente durante a alta estação, exigindo um esforço logístico gigante e acendendo um alerta sobre a consciência ambiental de moradores e turistas.
O verão em Salvador é sinônimo de sol, calor e praias lotadas. No entanto, por trás das belezas naturais da Baía de Todos-os-Santos e da orla atlântica, esconde-se um número alarmante que desafia a limpeza urbana da capital baiana. Segundo dados recentes da Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb), o volume de lixo coletado nas praias chega a atingir a marca de 65 toneladas por dia durante os meses de pico da estação.
Esse montante é significativamente maior do que o registrado em outras épocas do ano e revela um comportamento preocupante de banhistas e frequentadores. Entre os itens mais encontrados estão garrafas PET, latas de alumínio, canudos, embalagens de alimentos e, o grande vilão dos oceanos, o microplástico.
Uma operação de guerra na areia Para dar conta de tamanha demanda, a Limpurb montou uma verdadeira “operação de guerra”. O trabalho começa cedo, muitas vezes antes do sol nascer, e se estende por toda a noite. São centenas de agentes de limpeza que percorrem desde as praias mais badaladas, como o Porto da Barra e a Praia do Flamengo, até os trechos mais tranquilos.
A logística envolve não apenas o trabalho manual com rastelos e sacos, mas também o uso de máquinas saneadoras que peneiram a areia para retirar resíduos menores que muitas vezes passam despercebidos a olho nu. Segundo a prefeitura, o esforço é necessário para garantir que o cartão-postal da cidade continue atrativo para o turismo, que é o motor da economia local.
O impacto ambiental e a responsabilidade de todos Especialistas em ecologia marinha alertam que esse lixo não é apenas um problema visual. Grande parte desses detritos acaba sendo levada pela maré, contaminando o ecossistema marinho, matando tartarugas e peixes, e retornando para o consumo humano através da cadeia alimentar.
Embora o poder público tenha intensificado a instalação de lixeiras e a frequência da coleta, o foco das discussões tem sido a conscientização. “Não adianta ter um exército de garis se a população não fizer a sua parte”, afirmam representantes de ONGs ambientais que atuam na Bahia. A recomendação é simples, mas vital: cada banhista deve recolher o seu próprio lixo e descartá-lo nos locais adequados.
Dicas para um verão mais consciente
- Leve sempre uma sacolinha para guardar seus resíduos.
- Evite o uso de plásticos descartáveis, como copos e canudos.
- Se encontrar lixo na areia, mesmo que não seja seu, ajude recolhendo.
- Prefira garrafas reutilizáveis.
O verão de 2026 tem sido um dos mais intensos dos últimos anos em termos de público, e manter Salvador limpa é um desafio que vai muito além das vassouras e caminhões da Limpurb; é um dever de quem ama e desfruta da cidade.
Foto: Bruno Concha/ Secom PMS