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Primeira gravação dos Beatles vira alvo de briga na Justiça com a Universal Music

Foto: Universal Music
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Fita demo raríssima de 1962, guardada por décadas por um engenheiro de som, abre disputa milionária sobre quem é o verdadeiro dono do início da banda mais famosa do mundo

Uma fita magnética que carrega o primeiríssimo registro em estúdio dos Beatles se transformou no centro de uma grande disputa judicial. De um lado estão os herdeiros do lendário engenheiro de som Geoff Emerick; do outro, a gigante da indústria fonográfica Universal Music Group (UMG). O processo, que corre em um tribunal de Los Angeles, tenta definir quem tem o direito de posse sobre o valioso material histórico.

A história dessa fita começou em 1962, nos estúdios da EMI — que mais tarde ficariam conhecidos mundialmente como Abbey Road. Naquele ano, Geoff Emerick começava sua carreira no local quando os Beatles, ainda anônimos, apareceram para gravar uma fita demo. Naquela sessão de gravação, o quarteto ainda contava com o baterista Pete Best (antes de Ringo Starr assumir o posto). Eles registraram quatro faixas que se tornariam históricas: “Bésame Mucho”, “Love Me Do”, “PS, I Love You” e “Ask Me Why”. O material chegou a ser levado ao produtor George Martin, mas acabou ficando guardado.

A relíquia permaneceu escondida com Emerick por décadas. A briga estourou depois que o engenheiro de som faleceu em 2018, sem deixar um testamento. Ao mexer nos pertences do pai, Martin Emerick encontrou o áudio histórico e os herdeiros decidiram ir à Justiça para pedir que fossem declarados os donos legítimos da fita. A Universal Music, que comprou a EMI em 2012, descobriu a existência do item quando a família tentou colocá-lo à venda na internet poucas semanas após a morte de Geoff, e imediatamente exigiu a devolução.

A defesa da família do engenheiro argumenta que a fita só existe hoje porque ele a salvou do lixo no passado, numa época em que a EMI havia abandonado legalmente esses materiais para descarte. Eles também alegam que o direito da gravadora de reclamar a posse já expirou há muito tempo. Por sua vez, os advogados da Universal Music rebatem dizendo que o material nunca foi abandonado pela empresa, mas apenas guardado, e que o funcionário não tinha o direito de ter retirado o item do estúdio. Enquanto o juiz não decide o destino do artefato, o caso segue agitando o mercado bilionário do colecionismo musical e mostrando que, quando o assunto é Beatles, até o passado continua gerando manchetes e muito dinheiro.