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Qualificados demais para trabalhar? O paradoxo do Diploma no Brasil

Foto: Reprodução
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Durante décadas, venderam ao povo brasileiro a ideia de que estudar seria a principal ponte para ascensão social. O discurso parecia simples: qualifique-se, invista em formação e as portas do mercado se abririam. Mas a realidade tem contado uma história diferente. Hoje, cerca de 5 milhões de brasileiros altamente qualificados enfrentam dificuldades para conseguir emprego, revelando um paradoxo cruel: em muitos casos, ter estudo demais virou obstáculo.

A experiência da advogada empresarial Ana Flávia Mambelli escancara essa contradição. Com currículo robusto e experiência internacional, ela afirma ouvir repetidamente que é “qualificada demais” para determinadas vagas. O problema, porém, parece ir além da qualificação: empresas querem experiência sênior, excelência profissional e produtividade elevada, mas oferecem salários incompatíveis, muitas vezes equivalentes a cargos de entrada. Em outras palavras, busca-se mão de obra altamente preparada a preço de precarização.

Dados do IBGE mostram que o número de trabalhadores com ensino superior praticamente dobrou nos últimos 14 anos, passando de 12,6 milhões para quase 25,8 milhões. Ainda assim, um em cada cinco atua na informalidade. Economistas chamam esse fenômeno de mismatch — um desencontro entre a formação do trabalhador e as oportunidades disponíveis. O Brasil formou profissionais, mas não estruturou um modelo econômico capaz de absorver essa inteligência coletiva.

Mais do que uma crise de empregabilidade, estamos diante de uma crise de projeto nacional. Afinal, de que adianta estimular o sonho da educação se o mercado responde com subemprego, informalidade e desvalorização do conhecimento? A pergunta que permanece é: estamos formando pessoas para o futuro ou apenas produzindo diplomas para a frustração?

Por Alice Rodrigues