Saiba por que, em alguns casos como o de Faustão, é preciso repetir o transplante renal, quais pacientes são elegíveis e quais desafios envolvem toda a jornada.
O reencontro com a esperança pode vir em forma de um novo órgão — e, em casos como o do apresentador Faustão, esse reencontro aconteceu pela segunda vez. Após uma infecção grave, ele passou por um transplante de fígado e, no dia seguinte, por um retransplante renal. Mas quando essa segunda cirurgia é realmente necessária?.
O retransplante renal é indicado quando o primeiro rim transplantado deixa de funcionar adequadamente. Isso pode ocorrer por rejeição imunológica, falência tardia, infecção grave ou outras complicações. No caso de Faustão, os médicos haviam planejado o segundo transplante há cerca de um ano, esperando compatibilidade com um doador que pudesse atender à necessidade clínica atual.
Mas quem está apto para um transplante de rim? A indicação é feita geralmente para pacientes com doença renal crônica em estágio avançado ou com insuficiência renal terminal — quando os rins não conseguem mais cumprir suas funções básicas de filtrar o sangue e eliminar toxinas..
O processo começa com avaliações clínicas detalhadas feitas por nefrologistas. O paciente deve estar com outras condições de saúde controladas — como pressão, infecções e problemas cardíacos — para ser considerada a cirurgia. Contraindicações incluem doenças graves não controladas ou condições psiquiátricas que comprometam os cuidados pós-operatórios.
Depois, vem a busca por um doador compatível: pode ser uma pessoa viva — parente, cônjuge ou amigo — ou um doador falecido com diagnóstico de morte encefálica. São realizados testes como compatibilidade sanguínea (ABO), HLA e crossmatch para minimizar o risco de rejeição.
No Brasil, o transplante renal é o mais frequente entre órgãos. O país possui um dos maiores sistemas públicos de transplante do mundo, e milhares de pacientes esperam na fila por um órgão. Estima-se que existam mais de 26 mil pacientes na lista de espera, enquanto os transplantes realizados representam apenas parte da demanda total.
Além disso, há casos de pacientes altamente sensibilizados, com grande dificuldade de encontrar doadores compatíveis. Para eles, programas como o Kidney Paired Donation — troca entre pares incompatíveis — já são uma alternativa em outros países, mas ainda pouco difundido no Brasil.
Apesar dos avanços, realizar um retransplante é um passo delicado. Muitos pacientes já enfrentaram complicações anteriores ou atecnologias resistentes. E embora ofereça uma chance de sobrevida e qualidade de vida, o procedimento exige cuidados rigorosos com medicamentos imunossupressores, acompanhamento médico contínuo e atenção a sinais de rejeição ou infecção, que podem comprometer o sucesso da cirurgia.
O caso de Faustão serve de alerta e exemplo: quando o organismo não responde, e a necessidade é elevada, o retransplante pode significar uma nova chance.