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Quem é Cris Pereira? Humorista é condenado por estupro de vulnerável e tem shows cancelados

Crédito: Reprodução
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Conhecido por “Jorge da Borracharia”, o artista foi sentenciado a mais de 18 anos de prisão e teve shows cancelados após a decisão do Tribunal de Justiça do RS

O humorista Cristiano Pereira da Silva, conhecido artisticamente como Cris Pereira ou “Jorge da Borracharia”, foi condenado pela Justiça do Rio Grande do Sul a 18 anos, 4 meses e 15 dias de prisão em regime fechado pelo crime de estupro de vulnerável. A decisão da 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do RS, divulgada em 25 de setembro de 2025, estabelece que o caso será cumprido em regime fechado, dada a gravidade do crime.

O caso e os detalhes revelados

O crime teria ocorrido em 2021, quando a vítima era criança — segundo a sentença, ela tinha 3 ou 4 anos de idade na época. O processo tramita sob segredo de justiça, então muitos detalhes permanecem resguardados.

Desde o desfecho do julgamento, a carreira de Cris Pereira sofreu impactos imediatos: shows com datas marcadas nas regiões Sul do país foram cancelados e ingressos já vendidos estão sendo reembolsados. A produtora responsável comunicou que os cancelamentos visam preservar imagem e evitar litígios adicionais.

Mesmo com a condenação, a defesa do humorista se manifestou, alegando que ele havia sido absolvido em primeira instância por ausência de provas e que laudos periciais do Departamento Médico Legal (DML) teriam confirmado inexistência de crime. Os advogados afirmam ainda que a decisão de segunda instância “contraria provas periciais” e prometem recorrer às instâncias superiores.

A acusação, por sua vez, aponta que Cris tentou responsabilizar a mãe da vítima por alienação parental, estratégia que, segundo a equipe de acusação, visava descredibilizar a vítima.

Quem é Cris Pereira?

Cris Pereira acumula mais de 30 anos de carreira como humorista, ator, diretor, roteirista e radialista. Ficou famoso pelo personagem “Jorge da Borracharia”, com esquetes que misturam humor, crítica social e elementos da cultura sulista. Sua presença nas redes sociais era grande — ele contava com milhões de seguidores no Instagram, TikTok e YouTube. Também fazia participações no programa A Praça é Nossa (SBT).

Recentemente, em vídeo publicado nas redes sociais, Cris Pereira se manifestou publicamente. Ele afirma que a principal força que tem vem dos seus filhos e que já teve bloqueio para tratar do assunto do processo por causa do sigilo. Filho dele e outros familiares também divulgaram notas de defesa, alegando que ele é “bom pai” e que as acusações seriam parte de disputas familiares.

Aspectos legais: estupro de vulnerável

No Direito Penal brasileiro, o crime de estupro de vulnerável está previsto no art. 217-A do Código Penal e abrange situações em que a vítima é menor de 14 anos, ou não possui discernimento para consentir ou resistência. Após a Lei nº 12.015 de 2009, a violência é considerada presumida nesses casos — ou seja, não é necessário provar violência física, apenas demonstrar que a vítima era vulnerável. Isso torna o delito especialmente gravoso e a pena costuma ser alta quando condenado.

Repercussão e efeitos imediatos

O veredito provocou reações amplas. Nos meios artísticos e culturais, o anúncio repercutiu com pesar, choque e debates sobre responsabilidade, ética e proteção à infância.

Em entrevistas e notas públicas, algumas filhas do humorista divulgaram mensagens em defesa de Cris, enquanto a família da vítima e entidades de direitos humanos enfatizam a importância de dar voz e proteção à criança que sofreu o crime.

A justiça brasileira, por meio desse caso, reafirma a severidade com que trata crimes sexuais contra vulneráveis, além de evidenciar os desafios para garantir que procedimentos legais sejam respeitosos com vítimas e acusados, sem ferir o direito ao contraditório e à ampla defesa.

O processo ainda não transitou em julgado — ou seja, a condenação não é definitiva. A defesa pode recorrer às instâncias superiores, inclusive ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF), dependendo dos alegados pontos de inconstitucionalidade ou falhas no julgamento.