Liquidação extrajudicial do Banco Master aciona o maior reembolso da história do Fundo Garantidor de Créditos, enquanto a Polícia Federal apura um esquema de até R$ 12 bilhões em operações fraudulentas.
A crise envolvendo o Banco Master se tornou um dos maiores escândalos financeiros recentes do país. A situação ganhou proporções inéditas após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da instituição — medida adotada quando um banco não tem mais condições de operar com segurança e precisa ser encerrado de forma controlada.
Reembolso recorde do Fundo Garantidor de Créditos
Com a decisão, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) foi acionado para proteger os clientes e investidores do banco. A entidade estima desembolsar R$ 41 bilhões em reembolsos, configurando o maior pagamento já realizado pelo FGC em toda a sua história.
O valor é tão alto que supera em muito o antigo recorde, da crise do Bamerindus nos anos 1990, que chegou a cerca de R$ 4 bilhões corrigidos. Agora, o impacto é dez vezes maior.
O FGC informou que aproximadamente 1,6 milhão de credores têm direito ao reembolso, incluindo correntistas e investidores que possuíam produtos como contas-correntes, poupança, CDBs, LCIs, LCAs e outros títulos elegíveis.
A garantia segue as regras tradicionais:
- Até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição;
- Limite global de R$ 1 milhão a cada 4 anos, caso o cliente seja afetado por liquidações de mais de uma instituição financeira.
O processo para receber o reembolso depende da entrega, pelo liquidante indicado pelo Banco Central, da lista completa de clientes e valores devidos. Essa etapa pode levar algumas semanas devido à complexidade da situação e ao volume de contas envolvidas.
Fraude investigada pode chegar a R$ 12 bilhões
Enquanto o FGC se organiza para iniciar o reembolso, a Polícia Federal aprofunda a Operação que apura um esquema fraudulento dentro do Banco Master. A PF estima que o prejuízo causado por operações fictícias e emissão de títulos sem lastro pode alcançar R$ 12 bilhões.
De acordo com as investigações, o banco teria criado carteiras de crédito inexistentes, vendendo títulos fraudulentos a outras instituições e substituindo esses papéis por ativos inadequados ou sem análise real. Durante as buscas, foram apreendidos carros de luxo, dinheiro vivo, obras de arte e relógios de alto valor.
Entre os presos está o dono do banco, Daniel Bueno Vorcaro, acusado de gestão fraudulenta e outros crimes financeiros. Ele foi detido no momento em que supostamente se preparava para embarcar em um jato particular, levantando suspeita de tentativa de fuga.
O banco já vinha chamando atenção por oferecer CDBs com rendimentos muito acima do mercado, chegando a até 140% do CDI — um sinal de alerta que especialistas apontavam como potencial indicativo de risco elevado.
Mudanças no sistema financeiro
A crise do Banco Master provocou reação imediata dos órgãos reguladores. O Conselho Monetário Nacional (CMN) anunciou regras mais rigorosas para instituições financeiras associadas ao FGC, exigindo maior controle sobre alavancagem e obrigando bancos com nível de risco elevado a aplicar parte dos recursos em títulos públicos federais.
As contribuições mensais ao FGC também foram ajustadas: bancos considerados mais arriscados pagarão taxas maiores para reforçar o fundo.
Embora o caso seja grave, especialistas afirmam que ele não representa risco sistêmico para o sistema financeiro brasileiro. O FGC informou ter mais de R$ 122 bilhões em caixa, montante considerado suficiente para cobrir o reembolso aos credores do Master e manter a estabilidade do setor.