Um dos mais emblemáticos ícones da arquitetura eclética de Salvador, o histórico edifício da Junta Comercial do Estado da Bahia (Juceb), situado no coração do bairro do Comércio, está passando por uma significativa requalificação. Com um investimento superior a R$ 9 milhões, capitaneado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), órgão vinculado à Secretaria de Cultura do Estado, a obra visa não apenas modernizar a infraestrutura, mas, sobretudo, preservar a essência histórica e arquitetônica de uma edificação que testemunhou séculos de desenvolvimento econômico e cultural na capital baiana.
O prédio da Juceb, que já abrigou a Bolsa de Valores da Bahia e foi inaugurado em 1850, é um testemunho vivo do ecletismo arquitetônico, um estilo que floresceu entre meados do século XIX e as primeiras décadas do século XX. O ecletismo se caracteriza pela fusão de elementos de diversos períodos e estilos artísticos do passado em uma única obra, resultando em composições grandiosas, simétricas e ricamente decoradas. No Brasil, essa tendência se consolidou através do academicismo propagado pela Academia Imperial de Belas Artes, influenciando projetos que buscavam a grandiosidade e a riqueza ornamental, características marcantes do edifício da Juceb. A restauração atual é um mergulho profundo nessa tapeçaria histórica, garantindo que cada detalhe, desde os rebocos até os balaústres das sacadas, seja meticulosamente recuperado, mantendo a autenticidade do estilo.
As intervenções são abrangentes e foram cuidadosamente planejadas para assegurar a funcionalidade contemporânea do espaço sem desvirtuar sua identidade. O escopo dos trabalhos inclui a demolição de estruturas comprometidas, a implantação de modernos sistemas de infraestrutura elétrica, lógica, hidrossanitária e de climatização. Escavações para a construção de cisternas e poços de elevador, montagem de escadas metálicas, instalação de forros de gesso e pisos em granito, impermeabilização de áreas molhadas e fachadas, além da recuperação de elementos arquitetônicos e decorativos, fazem parte deste complexo projeto. A atenção especial à fachada histórica, com a restauração de seus elementos originais, é um dos pontos altos da requalificação, assegurando que a beleza e a imponência do edifício continuem a enriquecer a paisagem urbana do Comércio.
Para Marcelo Lemos, diretor do Ipac, o investimento na conservação de edifícios como o da Junta Comercial transcende a mera restauração física. “Investir na conservação de edifícios como o da Junta Comercial é reafirmar o compromisso do Estado com a memória e a identidade do povo baiano. A revitalização garante o uso adequado desses espaços e contribui para o desenvolvimento urbano com respeito ao patrimônio histórico”, afirma Lemos, sublinhando a importância de preservar esses marcos para as futuras gerações. A obra não só moderniza o espaço para suas necessidades atuais, mas também garante que o legado cultural e arquitetônico do prédio da Juceb permaneça vibrante e acessível, integrando passado e futuro no dinâmico cenário de Salvador.