Núcleo crucial da trama golpista será julgado entre 2 e 12 de setembro com amplo acesso à mídia
A partir de terça-feira, 2 de setembro de 2025, inicia-se na Primeira Turma do STF o julgamento de Jair Bolsonaro e outros sete réus acusados de articular uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Além do ex-presidente, integram esse chamado núcleo crucial nomes como Alexandre Ramagem (PL-RJ), Almir Garnier Santos, Anderson Torres, Augusto Heleno, Mauro Cid, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto, investigados por crimes como organização criminosa armada, dano qualificado e atentado ao patrimônio público — com penas que podem somar até 43 anos de prisão.
As sessões serão transmitidas ao vivo pelos canais oficiais como:
- CNN Brasil (TV e canal no YouTube);
- CartaCapital no YouTube (com cobertura jornalística e análises);
- TV Justiça e canal do STF no YouTube, que exibem diretamente as imagens do tribunal;
- TVT (em canal aberto e também no YouTube), única emissora aberta a cobrir integralmente o julgamento;
- TvPT e Rádio PT, transmitindo pela rede do Partido dos Trabalhadores.
O cronograma completo inclui até duas sessões por dia, em cinco datas:
- 2 de setembro: das 9h às 12h e das 14h às 19h
- 3 de setembro: 9h às 12h
- 9 de setembro: 9h às 12h e 14h às 19h
- 10 de setembro: 9h às 12h
- 12 de setembro: 9h às 12h e 14h às 19h
Etapas do julgamento
- Relatório do relator Alexandre de Moraes: leitura detalhada das acusações apresentadas pela PGR, sem limite de tempo.
- Sustentação da PGR, feita pelo procurador-geral Paulo Gonet, com até 2 horas de exposição.
- Defesas dos réus: cada advogado terá até uma hora para defesa; a de Bolsonaro será a sexta.
- Questões preliminares: pedido de nulidades ou interrupções do processo.
- Votos dos ministros, começando por Moraes, seguido por Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin — maioria de três confirma a decisão.
- Resultado final, anunciado por Cristiano Zanin.
- Possibilidade de recursos e execução da pena somente após esgotados os recursos possíveis.
Mesmo que seja condenado, Bolsonaro deverá continuar sob prisão domiciliar ou medidas cautelares — ele já está de tornozeleira eletrônica, proibido de sair ou usar celulares e redes sociais de forma independente desde agosto de 2025.
O julgamento faz parte da apuração da Operação Contragolpe e Tempus Veritatis, que investigaram os planos de ruptura do Estado Democrático de Direito envolvendo altas patentes das Forças Armadas, supostos planos de assassinar autoridades, e o histórico das manifestações extremas de janeiro de 2023 em Brasília.
Este processo é também um marco: é a primeira vez que militares de quatro estrelas e ex-ministros são julgados por tribunal civil por tentativa de golpe no país. A própria narrativa de Bolsonaro durante interrogatórios — tendo transformado depoimentos em discursos políticos — ganhou ampla repercussão nacional e internacional