Projeto propõe atrair visitantes para praias, cultura e gastronomia da região — com destaque para a tradicional moqueca e o empreendedorismo local.
A Câmara Municipal de Salvador está discutindo um projeto inovador: a chamada “Rota da Moqueca”, com o objetivo de valorizar o Subúrbio Ferroviário de Salvador como destino turístico, gastronômico e cultural. A iniciativa foi apresentada pelo vereador João Cláudio Bacelar (Podemos) por meio do Projeto de Indicação nº 460/2025 e busca transformar a região num circuito organizado que promova emprego, renda e identidade local.
Por que a proposta surge agora
Salvador é reconhecida por seu turismo forte: milhões de visitantes por ano visitam o centro histórico e a orla atlântica, mas há regiões que ainda ficam à margem desse fluxo. O Subúrbio Ferroviário, apesar de abrigar praias, patrimônio histórico e uma rica cultura popular, não está dentro dos roteiros turísticos tradicionais. Bacelar afirma que a diversificação dos destinos é essencial para que os benefícios econômicos do turismo sejam distribuídos de forma mais justa.
O que seria a “Rota da Moqueca”
A proposta prevê a criação de um circuito que valorize:
- A gastronomia local, com destaque para restaurantes especializados em moqueca e pratos típicos baianos, presentes na região. Entre eles estão estabelecimentos como Cabana do Camarão, Boca de Galinha, Pirão do Renato, Si Moqueca, entre outros.
- As belezas naturais da região: praias como Tubarão, São Tomé de Paripe, Ribeira e Ilha de Maré.
- O patrimônio histórico e cultural: a Capela de Nossa Senhora da Escada, a antiga Estação Ferroviária de Plataforma, manifestações populares como a Lavagem de Plataforma, Festa de São Bartolomeu e outros eventos comunitários.
- A mobilidade urbana e infraestrutura: o projeto cita que obras como o VLT do Subúrbio Ferroviário e o Teleférico Pirajá/Subúrbio podem viabilizar maior fluxo de visitantes e integração da região ao restante da cidade.
Benefícios esperados
Se implantada, a rota pode trazer diversos impactos positivos para a região:
- Geração de emprego e renda: com mais visitantes, os restaurantes, artesãos, guias locais e demais empreendimentos da região podem alcançar novos públicos.
- Fortalecimento do empreendedorismo comunitário: valorização dos negócios locais, da cozinha familiar, da cultura popular e da identidade do Subúrbio.
- Desenvolvimento do turismo comunitário e cultural: turistas vivendo experiências além do sol e mar, conhecendo cultura viva, história e gastronomia autêntica.
- Redistribuição de benefícios do turismo: ao levar visitantes para áreas menos atendidas, contribui-se para um turismo mais inclusivo e menos concentrado.
Desafios e pontos de atenção
Claro que colocar em prática essa proposta vai depender de vários fatores:
- Melhoria de infraestrutura de acesso, transporte, sinalização e segurança para receber turistas.
- Capacitação dos negócios locais para atender demandas de turismo (qualidade de atendimento, higiene, acomodação se for o caso).
- Garantia de que o turismo não gere impactos negativos nas comunidades, como gentrificação ou perda de identidade local.
- Promoção eficaz para que a rota se torne conhecida fora dos círculos tradicionais de turismo de Salvador.
- Monitoramento para assegurar que a geração de renda beneficie realmente a região e não apenas grandes redes ou investidores externos.
Contexto maior
Salvador vive um momento em que o turismo tradicional já está bastante explorado — orla, Pelourinho, elevador Lacerda. A proposta da Rota da Moqueca se insere em uma tendência mundial de “turismo fora dos roteiros principais”, com foco em gastronomia local, experiências autênticas e comunidades que historicamente ficaram à margem. Além disso, o Subúrbio Ferroviário tem características únicas que podem diferenciá-lo como destino: cultura afro-brasileira forte, história da ferrovia, praias menos movimentadas e culinária reconhecida.
Caminho para a implementação
Agora cabe ao Executivo municipal analisar a viabilidade, buscar apoio técnico e de infraestrutura, articular com o setor privado e comunitário e inserir no calendário turístico de Salvador. O projeto ainda precisa avançar em comissões, aprovação das etapas necessárias e posteriormente em ações concretas. A comunidade local terá papel fundamental — tanto para garantir que seus valores sejam respeitados quanto para se beneficiar da iniciativa.
Conclusão
A Rota da Moqueca representa uma oportunidade para que Salvador expanda seu turismo de forma mais equilibrada, reconhecendo regiões como o Subúrbio Ferroviário, que têm muito a oferecer em gastronomia, cultura e natureza. É também uma chance de valorizar o que é local, dar visibilidade aos empreendedores da região e promover um desenvolvimento mais justo. Se bem executada, pode se tornar modelo de turismo de base local, e para o público, uma descoberta deliciosa de Salvador além dos roteiros tradicionais.